A crise secreta do mercado de livros

George Kornis e Fábio de Sá Earp são, além de ótimos economistas, boas-praças. Isto ficou bem claro na palestra que proferiram ontem durante a abertura da Primavera dos Livros no Rio de Janeiro. A palestra consistia basicamente de estudos preliminares de uma pesquisa que ambos vêm conduzindo sobre a indústria do livro do Brasil, sob encomenda do BNDES. Durante a apresentação, os economistas não apenas demonstraram seu conhecimento científico, mas também deixaram claro, implícita ou explícitamente, que são apaixonados por livros e vêem o setor editorial com muita simpatia. Entre os dados apresentados, há números bastante preocupantes. Entre eles, a queda de 48% das vendas de livros entre 1995 e 2003, o que, segundo a dupla de economistas, levaria qualquer outro setor a exigir apoio governamental. Outro dado preocupante é a grande quantidade de encalhes nas editoras. Em 2003, por exemplo, a diferença entre o número de livros produzidos e vendidos foi de 44 milhões. “Qualquer setor que tivesse 44 milhões de produtos encalhados estaria preocupado“, afirmou Kornis. Também foram apresentados, a título de comparação, dados de outros países. Chamou a atenção que o Brasil possui o terceiro mais generoso programa governamental de compras de livros, com 176 milhões de

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Encontro na Colômbia discute política pública de leitura

Termina hoje, 15, em Cartagena de Índias, na Colômbia, a reunião para formular a Agenda Ibero-Americana de Política Pública em Leitura – Ilímita. Promovido pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e pelo Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc), o encontro reúne 21 países e tem a função de preparar o Ano Ibero-Americano da Leitura, que será em 2005.    O principal objetivo da reunião é propor os fundamentos conceituais, estratégias, linhas e encaminhamentos de ação que orientem os responsáveis pela formulação e execução de políticas de leitura nos países participantes. Especialistas no planejamento, gestão e implementação de programas de leitura discutem, com representantes dos governos presentes, as necessidades dos vários países para atingir as metas estabelecidas.    A diretora do Departamento de Políticas de Educação Infantil e Ensino Fundamental da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (SEB/MEC), Jeanete Beauchamp, participa do encontro. “Discutimos a proposta do governo brasileiro, que é o Programa de Formação de Leitores, e o trabalho que vem sendo realizado pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) nos últimos seis anos”, afirma Beauchamp. No decorrer de 2005, os participantes

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Para todos

PARA TODOS 1  O MEC deve anunciar em breve mais uma medida de impacto: a criação de um site chamado “Domínio Público“. Nele seriam incluídas todas as obras de autores que não necessitassem mais de autorização nem do pagamento de direitos autorais -clássicos como, por exemplo, Machado de Assis, além de obras de arte e músicas.    PARA TODOS 2  Algumas editoras já tentam pressionar o MEC, temendo queda nas vendas de livros. O ministério considera que o risco é pequeno. O recurso, imaginam, seria usado prioritariamente por quem não tem recurso para adquirir as obras.   

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Editores criticam escolha de 2.000 livros

Embora aguardado desde maio, o resultado da primeira etapa do programa Fome de Livro, um dos principais do Ministério da Cultura, provocou surpresas na semana passada. Os 2.016 títulos escolhidos -num universo de 23 mil- foram divulgados apenas no site da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), sem informes à imprensa. E com o nome Programa Livro Aberto.    “Essa é a rubrica para a qual eu posso gastar o dinheiro em 2004. É uma questão burocrática. Em 2005, mudaremos para Fome de Livro“, explica o presidente da FBN, Pedro Corrêa do Lago.    Segundo ele, a divulgação do resultado foi a adequada. “Nunca pensamos que a lista fosse uma notícia. Na minha opinião, é notícia quando influencia o mercado editorial. Esta aqui é notícia por falta de outras notícias. Na verdade, a Biblioteca estar comprando 130 exemplares de 2.000 títulos é ridículo“, afirma.  Adquiridos por cerca de R$ 5 milhões, os livros serão distribuídos para bibliotecas públicas. Só após as eleições municipais serão anunciadas que cidades receberão os lotes. Das 323 editoras inscritas, 176 tiveram livros selecionados. Pouco mais de 50% dos títulos (1.051) ficaram com as dez primeiras colocadas.  “Foi um avanço ver várias [34] editoras nossas na lista, mas

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Lula critica professores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a falta de capacitação de professores da rede pública de ensino médio e fundamental e defendeu ´uma avaliação da totalidade das escolas brasileiras´. Lula pediu ao Congresso a aprovação de um projeto de lei universalizando o Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), que hoje se limita a pesquisas por amostragem. Segundo o presidente, a idéia é saber se as escolas são ´de boa qualidade´ e se os alunos estão aprendendo. Precisamos encontrar um jeito de fazer com que nossos educadores sejam mais ousados – disse o presidente. Lula também apontou a falta de interesse dos pais no aprendizado dos alunos.    – Quando você encontrar um menino que diz que não consegue aprender química, é preciso saber de que jeito o professor está dando as aulas. E isso vale para qualquer matéria – advertiu. Ontem, Lula se encontrou com alunos brasileiros que participaram de duas Olimpíadas de Matemática em julho. Na universitária, realizada na Macedônia, o Brasil conquistou sete medalhas: uma de ouro, três de prata e três de bronze. Na Olimpíada de estudantes de 2º grau, na Grécia, o saldo foi de seis medalhas.     Quando cumprimentou o

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Inep traça perfil do aluno em Língua Portuguesa

Morar em cidades com menos de 200 mil habitantes, na Região Nordeste, trabalhar, ter sido reprovado na escola e ter pais com baixa escolaridade são características encontradas em maior grau entre os estudantes que estão no estágio “muito crítico” do conhecimento em Língua Portuguesa. Os dados que associam o perfil dos alunos da 4ª série do ensino fundamental ao desempenho são do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2003.     A avaliação, realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), mostra que os estudantes no pior patamar de desempenho do Saeb estão, em geral, em atraso escolar e se concentram nas escolas públicas municipais. Esses alunos compartilham também de outras características comuns: a maioria não tem ninguém na família que os acompanhe na vida escolar com regularidade e também não freqüentou a educação infantil. Veja dados anexos.    Carlos Henrique Araújo, diretor de avaliação da Educação Básica do Inep, explica que o perfil dos estudantes no estágio “muito crítico” foi construído a partir das respostas mais freqüentes a uma série de questões aplicadas no questionário socioeconômico do Saeb. “Não significa que os alunos com pior desempenho estejam todos no Nordeste, por exemplo, mas

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6º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens.

O ato de ler deve ser desenvolvido desde a infância, alimentado durante a adolescência e mantido pelo resto de nossas vidas. Essa prática se consolida a partir do momento em que a literatura nos toma pela mão, e nos leva a conhecer o mundo da imaginação.    É pensando na importância de alimentar a imaginação das crianças, por intermédio da leitura, que a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ, realiza seu “6º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens“, de 16 a 26 de Setembro, no Galpão das Artes do Museu de Arte Moderna (MAM), com o patrocínio da PETROBRAS e apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. No Salão, crianças e adolescentes têm a oportunidade de manusear livros de literatura e informativos, podendo partilhar o ato de ler com pais, parentes e amigos.    Em um espaço de aproximadamente oitocentos metros quadrados, estarão expostos livros para crianças e adolescentes, das mais diversas editoras.Além dos estandes com editores, a FNLIJ oferece dois espaços para os visitantes desfrutarem da Leitura: na Biblioteca/FNLIJ estarão mais de dois mil livros, todos de acordo com o padrão de qualidade que caracteriza as seleções da FNLIJ, há mais de

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Agonia e salvação

O mercado editorial brasileiro é um Mercedes circulando com rodinhas de rolimã. A metáfora é usada pelos professores Fábio Sá Earp, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e George Kornis, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Juntos, eles acabam de finalizar a pesquisa mais completa e detalhada sobre o universo do livro já feita no Brasil. O estudo demorou um ano e meio para ficar pronto, e foi bancado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. A idéia é usá-lo para definir novas políticas de investimento no setor. Os resultados serão divulgados oficialmente na quinta-feira 16, no Rio de Janeiro, durante a abertura da Primavera dos Livros, feira na qual títulos de pequenas e médias editoras são vendidos com descontos. ÉPOCA antecipa os números e as conclusões – nada animadoras – dos pesquisadores. Segundo Earp e Kornis, o panorama é nebuloso.    Reunindo as estatísticas aferidas anualmente pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional de Editores de Livros, comparando-as às de dezenas de outros países, entrevistando editores, livreiros, donos de gráficas e bibliotecários, os professores chegaram ao consenso de que nosso mercado editorial é completamente incompatível com o tamanho e a importância

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MEC ameaça não comprar livros didáticos

O Ministério da Educação ameaça suspender a negociação para compra de livros didáticos com dez editoras e concentrar a aquisição em apenas três empresas que concordaram com os preços oferecidos pelo governo federal. As negociações emperraram depois que as empresas se recusaram a receber os valores propostos pelo ministério para compra dos livros. Em alguns casos, a diferença entre as duas propostas chega a 60%.     Caso a compra fique restrita a poucas editoras, os professores da rede pública terão menor possibilidade de escolha na hora de selecionar os livros didáticos para seus alunos no próximo ano. Na disputa com as editoras, o MEC está usando basicamente o critério financeiro, sem levar em conta a qualidade dos livros.     No Programa Nacional do Livro Didático, os professores das escolas públicas do País recebem um guia com as obras de todas as editoras aprovadas pelo MEC. Dentre elas, escolhem qual gostariam que suas turmas recebessem. Por isso, a compra dos livros não é feita por licitação, em que vence quem fornece o preço mais baixo, e, sim, por negociação com as empresas.     Neste ano, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) tem R$ 600 milhões para

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