Editoras trocam conteúdo por mais lucro
O mote “livro bom é livro que vende“ virou regra no mercado editorial brasileiro. Títulos com excelentes conteúdos, mas que não trazem receita, estão sendo descartados pelas editoras. O preciosismo perde lugar para a realidade imposta pelos números – a venda de exemplares saiu de 410 milhões de exemplares, em 1998, para 255 milhões no ano passado, uma queda próxima a 40% em cinco anos. “Não temos mais margem para errar com livros que dão prejuízo“, diz Bernardo Gurbanov, vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Com a expectativa de manutenção das vendas neste ano e pressionadas pelo interesse crescente das companhias internacionais no mercado local, as editoras estão buscando caminhos alternativos para ficar acima da média do setor e crescer. As estratégias incluem desde a oferta de produtos mais baratos para quebrar a mais reconhecida barreira ao acesso à leitura no país – a falta de renda dos consumidores -, até investimentos mais pesados em propaganda e diversificação dos pontos de venda. A gaúcha L&PM, por exemplo, prevê um crescimento de 30% nas vendas de livros de bolso neste ano, para 1 milhão de exemplares, graças à utilização de pontos de venda pouco convencionais, explica o