Ricardo Vélez foi demitido do Ministério da Educação (MEC), mas suas declarações sobre os planos do Governo Bolsonaro de modificar materiais didáticos para negar o caráter ditatorial dos anos de chumbo no Brasil trouxeram à tona o clima de insegurança institucional que tomou conta do mercado editorial de livros escolares. O EL PAÍS apurou que, antecipando o novo posicionamento ideológico, autores de história pediram para fazer suavizar termos como ditadura e golpe de 64 na última versão dos livros que disputariam a licitação do PNLD 2020, voltado à compra de obras para os anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano). A Associação Brasileira dos Autores de Livros Educativos (Abrale) afirma que as declarações recentes vindas de diversas partes do Governo sobre a elaboração de conteúdo didático preocupam o conjunto de autores de livros educativos. Porém, defende que é preciso entender o motivo de alguns autores optarem pela autocensura frente a um cenário adverso. “A autocensura dos autores, uma tônica hoje real em diversos setores da sociedade, apenas reflete uma situação de fragilidade e muito medo, de recusa do próprio trabalho intelectual, de sumir do ambiente escolar, de ser banido das relações de ensino e aprendizagem do qual participa ativamente”,