Senadores cobram mais ousadia do governo nas metas para a educação

Em debate sobre novo Plano Nacional de Educação, membros da CE e debatedores destacam necessidade de mais ações, e não apenas intenções, para que o país conquiste excelência no ensino público em todos os níveis.   A educação precisa de soluções mais arrojadas que aquelas previstas nas diretrizes e metas estabelecidas pelo governo para os próximos dez anos. O ponto de vista foi compartilhado por senadores na abertura do ciclo de debates sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE) realizada ontem pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).   Lamentavelmente, temos um plano de intenções e não de ações concretas — opinou Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-ministro da Educação no governo Lula. O próximo PNE (2011-2020) começou a tramitar na Câmara dos Deputados em dezembro passado, mas logo veio o recesso de fim de ano.   Como a discussão só está começando efetivamente agora, há o receio de que a matéria demore a chegar ao Senado e que a Casa seja forçada a votar o texto às pressas, sem tempo para exame mais aprofundado.   Precisamos ter cuidado porque, como sempre, poderá haver pressão sobre o Senado, que certamente terá interesse em contribuir com o projeto, e isso pode

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Vestibular dificulta mudança do ensino médio, dizem escolas

Escolas particulares de São Paulo afirmam que vão discutir a flexibilização do currículo do ensino médio, aprovada anteontem pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), em Brasília.   Os colégios admitem que o foco no vestibular das grandes universidades paulistas pode forçar a permanência do currículo tradicional. “De forma alguma vamos abandonar a grade acadêmica. Mas ela não nos impede de trabalhar as áreas de cultura, ciência, trabalho e tecnologia. Aliás, já fazemos isso há quatro anos”, afirma o diretor do Colégio Stockler, Agostinho Marques Filho.   Para Gisele Magnossão, diretora pedagógica do Albert Sabin, o perfil do aluno deve pesar na decisão. “A escola vai ter de analisar como fazer escolhas dentro de sua demanda, especialmente no caso dos vestibulandos”, diz ela. “Mas a discussão é interessante porque retoma o papel do ensino médio de preparar o aluno para a vida.”   Sueli Conte, mantenedora do Colégio Renovação, concorda. “Vamos fazer um trabalho com uma psicóloga para identificar as habilidades e interesses dos nossos alunos”, afirma.   O Colégio Santa Maria também já flexibiliza seu currículo com disciplinas como geopolítica e comunicação e mídia. “Mas vamos analisar e buscar a melhor forma de nos adaptarmos”, conta a diretora-geral, irmã Diane

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Conselho torna currículo do ensino médio mais flexível

O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou novas diretrizes para o ensino médio que incentivam as escolas a elaborar currículos mais flexíveis e adaptados ao contexto dos estudantes.   A ideia é que cada colégio organize o ensino em torno de quatro grandes áreas: trabalho, tecnologia, ciência e cultura. A partir delas, o currículo poderia enfatizar algumas disciplinas.   Uma escola que fica em uma localidade industrial, por exemplo, poderia enfatizar tecnologia e trabalho e, dessa forma, dar mais espaço a física e química na grade. Não se pode, porém, deixar as outras disciplinas de lado. Ou seja: todas as escolas continuam tendo a obrigação de ensinar matemática, português, ciências, filosofia e sociologia. A diferença é que, com as novas diretrizes, elas ganham um incentivo para dosar a grade horária como preferirem.   A autonomia das escolas em relação à organização da carga horária já é permitida hoje pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996. O CNE espera que as diretrizes sejam mais um incentivo.   As diretrizes também mudam o ensino médio noturno, onde estudam cerca de 40% dos alunos. Elas permitem que até 20% das aulas sejam a distância e que o curso dure mais

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Escolas brasileiras criam e perpetuam preconceitos e discriminações contra minorias, avaliam especia

O ambiente escolar é um espaço para o surgimento de atitudes sexistas e homofóbicas. Esta é uma das conclusões tiradas da audiência pública sobre preconceitos e discriminações na educação brasileira, realizada em 04 de maio na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.   “Além de reproduzir a escola cria homofobia”, disse a coordenadora do Projeto Escola sem Homofobia, da organização não governamental (ONG) Ecos – Comunicação em Sexualidade, Maria Helena Franco. “Não é mais adiante, mas é ali que esta se criando o preconceito”, completou.    Na opinião de Helena Franco, os professores brasileiros não são preparados para lidar com o tema em sala de aula e não dispõem de material didático que possa auxiliá-los. “Material sobre a temática praticamente não existe”, disse após apresentar aos parlamentares um kit com livro, vídeos, boletins e cartaz que podem ser usados na escola em apoio à implantação do chamado “projeto político pedagógico”, que orienta o ensino.    O material elaborado pela ONG está em análise na Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – Secad, do Ministério da Educação (MEC), para ser replicado e incluído na grade de distribuição de material educativo do MEC. Segundo Helena Franco, o ministério já recebeu

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Falta de livros em casa prejudica estudantes brasileiros

É o que mostra um levantamento do Movimento Todos Pela Educação, com base no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).   A carioca Ana Luiza, 12 anos, chegou em casa cansada depois de um dia atarefado na escola. Largou a mochila no quarto e falou para a mãe, Christiana Ferreira, 40 anos: “Estou estressada. Vou ler um livro para relaxar”. E se dirigiu para a estante para escolher um dos de cerca de 300 livros da família.   A cena na casa da família carioca, porém, não é regra nos lares brasileiros.  A pesquisa, de 2010, analisou 65 países e constatou que 39% dos estudantes brasileiros declararam possuir, no máximo, dez obras literárias.   Além disso, no ranking de alunos que afirmam ter mais de 200 livros em casa, o Brasil ocupa a 64º posição. A realidade se torna ainda mais preocupante com outro dado revelado pelo estudo.   De acordo com o levantamento, o estudante que tem até 10 livros em casa tem notas 15% menores em português e ciências do que aquele que tem entre 100 e 200 obras na estante da sala. Em matemática, o diferencial sobe para 17%.   Dados da pesquisa Retratos da Leitura

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Comissão amplia carga horária dos ensinos fundamental e médio

A Comissão de Educação do Senado aprovou ontem (03), um projeto que aumenta em 20% a carga horária mínima anual nos ensinos fundamental e médio. Como a proposta tem caráter terminativo, seguirá direto para a Câmara, salvo se houver recurso para votação no plenário no Senado.   Pelo projeto, a carga horária mínima subiria de 800 horas para 960 por ano. Essa carga teria de ser dividida em pelo menos 200 dias letivos, conta que exclui os dias dedicados a provas finais. As escolas teriam prazo para realizar a mudança. Segundo o projeto, a lei entraria em vigor no dia 1.º de janeiro do segundo ano letivo depois da sanção.   O relator, Cyro Miranda (PSDB-GO), destaca que o Plano Nacional de Educação, enviado ao Congresso pelo governo federal, propõe como meta até 2020 ter metade das escolas em ensino integral.   Para ele, o projeto que amplia a carga horária ajudaria este objetivo. “Enquanto não se chega ao ideal da escola de tempo integral, os governos municipais e estaduais podem se preparar para a sua implementação gradual.”   Frequência. A Comissão de Educação aprovou ainda outra proposta que pode alterar diretamente a vida dos alunos. O projeto amplia a

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No Brasil, quase 14 milhões com 15 anos de idade ou mais não sabem ler nem escrever

O país ainda tem 9,6% da população com 15 ou mais anos analfabeta. A revelação está no Censo 2010, divulgado nesta sexta-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).   Apesar da queda de quatro pontos percentuais –no Censo de 2000, o índice era de 13,6%– quase 14 milhões de brasileiros (13.940.729) ainda não sabem ler nem escrever. A maioria dos analfabetos do país está no Nordeste. Sozinho, ele concentra 53,3% (7,43 milhões) do total de brasileiros que não sabem nem ler nem escrever. Esse percentual é maior do que em 2000, quando era de 51,4%. Quando são considerados apenas os habitantes da região, o índice de analfabetismo é de 19,1%. O Nordeste também tem o Estado na pior situação: 24,3% dos habitantes de Alagoas (537 mil em 2,21 milhões) são analfabetos. Em 2000, eram 33,4%.   A região Centro-Oeste, no entanto, continua com o menor total de analfabetos dentre todos os habitantes do país –5,5%, apesar do aumento de 0,1 ponto percentual em relação a 2000.   A região com menos analfabetos entre a própria população é a Sul, com 5,1% (índice que era de 7,7% há dez anos). O Distrito Federal continua como a unidade da

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Expansão do ensino técnico não resolverá desafios do ensino médio

A expansão do ensino técnico – demanda antiga dos estudantes brasileiros – se tornou promessa de governo da presidenta Dilma Rousseff e aposta de solução para aumentar a qualidade da pior etapa da educação, o ensino médio.   Para os especialistas, no entanto, o projeto apresentado nesta quinta-feira, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), não resolverá as demandas dos jovens brasileiros matriculados nessa fase. Eles lembram que os anseios dos adolescentes são múltiplos e temem que a ampliação da rede profissional anunciada pela presidenta reduza essa visão.   “A educação básica tem um problema crônico que precisa ser resolvido. Integrar o ensino técnico ao médio não vai solucioná-lo”, ressalta o professor aposentado da Universidade Federal Fluminense Gaudêncio Frigotto.   Estudioso dos temas que envolvem a educação profissional há mais de 20 anos, ele defende que os anseios da sociedade devem fazer parte dos projetos educacionais. Isso significa, segundo ele, diversificar as atividades oferecidas na escola. “Escola não é só laboratório. É cultura, sociabilidade, arte, música”, diz.   Francisco Cordão, presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de educação (CNE), afirma que os investimentos na educação profissional não podem ser feitos de forma “isolada”.

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Livros aprovados pelo MEC criticam FHC e elogiam Lula

Livros didáticos aprovados pelo MEC (Ministério da Educação) para alunos do ensino fundamental trazem críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e elogios à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma das exigências do MEC para aprovar os livros é que não haja doutrinação política nas obras utilizadas.   O livro “História e Vida Integrada”, por exemplo, enumera problemas do governo FHC (1995-2002), como crise cambial e apagão, e traz críticas às privatizações. Já o item “Tudo pela reeleição” cita denúncias de compra de votos no Congresso para a aprovação da emenda que permitiu a recondução do tucano à Presidência.   O fim da gestão FHC aparece no tópico “Um projeto não concluído”, que lista dados negativos do governo tucano. Por fim, diz que “um aspecto pode ser levantado como positivo”, citando melhorias na educação e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Já em relação ao governo Lula (2003-2010), o livro cita a “festa  popular” da posse e diz que o petista “inovou no estilo de governar” ao criar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.   O escândalo do mensalão é citado ao lado de uma série de dados positivos. Ao explicar a eleição de FHC, o livro

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