Muito mais que livros
Quanto vale uma biblioteca formada ao longo de décadas por um intelectual, professor ou escritor? Que histórias e influências esses acervos de vidas inteiras têm a nos contar sobre seus criadores e a época em que viveram? O poeta e diretor executivo da Casa das Rosas, Frederico Barbosa, que cuida da biblioteca do poeta concretista Haroldo de Campos, lembra do descritivo da biblioteca de um cônego na cidade de Ouro Preto, interior de Minas Gerais, no século XIX. “Nele havia uma relação de livros importantes para a época, livros que tinham acabado de sair na Europa. O descritivo ajudou a revelar um pouco mais da sociedade mineira na época da Inconfidência”, lembra. Para a professora aposentada Heloísa Cerri Ramos, “a preservação do acervo de um escritor é a preservação da memória e da cultura do país. Porém, o brasileiro parece não possuir essa memória”, lamenta. Um exemplo de abandono, até pouco tempo atrás, era a Fundação Casa Museu Jorge Amado, localizada no bairro do Pelourinho, Salvador, na Bahia. ACERVO JORGE AMADO Com a diminuição do repasse estadual no orçamento de 2007, principal fonte de renda do museu, a direção precisou demitir 13 dos 25 funcionários, fechar o Café-Teatro