Músicos e educadores divergem sobre ensino de música
Após quatro anos de visitas ao Congresso por músicos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, na semana passada, uma lei que trouxe de volta a música como disciplina obrigatória nas escolas de ensino fundamental e médio. Porém, vetou o artigo que dizia que apenas os licenciados na área poderiam ensinar. A aprovação e o veto despertaram ainda mais polêmica sobre a proposta, elogiada e criticada tanto por músicos quanto por educadores, que divergem até mesmo sobre o que seria uma aula de música na escola. “A lei do jeito que está é mentirosa, não é factível“, diz Annelise Godoy, diretora-executiva da empresa Philarmonia Brasileira. “Não temos sequer pessoas qualificadas para acompanhar esse processo, menos ainda para dar as aulas“, explica ela, que desenvolve projetos nas escolas em parceria com empresas e instituições não-governamentais. “Seria muito mais coerente criarmos um estágio intermediário, onde a obrigação seria de cada cidade ter um conservatório aberto aos alunos, com profissionais bem preparados“, diz ela. Os especialistas não criticam o ensino de música, mas a maneira como ele será implementado em uma rede cheia de carências, onde falta desde energia elétrica até professores formados nas disciplinas básicas,