Regionalizar é preciso?
Em 2001, uma questão do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) cobrava das crianças análise da expressão “uai“. Alunos de Minas Gerais a responderam sem dificuldade; muitos estudantes do Pará deixaram o espaço em branco. “Se fosse para explicar o termo `paidégua´, provavelmente a situação se inverteria“, explica Rosa Cunha, secretária de Educação do Pará. “Os alunos daqui não usam o termo `uai´, não sabem o que significa.“ `Paidégua´, por outro lado, é adjetivo comum entre paraenses para se referir a coisas muito boas. O exemplo da questão do Saeb destaca a tendência a se considerar o Sudeste como padrão nacional, apesar das diferenças culturais, e ilustra discussão que volta a ser debatida: os livros didáticos devem ser adaptados às regiões em que serão adotados? Projeto de lei sobre a regionalização dos livros tramita na Câmara dos Deputados desde março deste ano. O autor, deputado Mário Heringer (PDT-MG), explica que a intenção é fazer com que as crianças “conheçam suas raízes“. O projeto tem o apoio dos secretários de Educação das regiões Norte e Nordeste, interessados em possibilitar que a cultura local seja trabalhada em sala de aula, e da Sociedade Brasileira para o Progresso da