Unger propõe novo modelo baseado no ensino

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Mangabeira Unger, defendeu uma nova estratégia de desenvolvimento para o Brasil, baseada na qualificação do Ensino básico e na ampliação das oportunidades produtivas.

Ele participou ontem de comissão geral no Plenário da Câmara. Segundo ele, está esgotada a atual estratégia de desenvolvimento nacional, baseada na massificação do consumo, no aumento da renda popular e na produção e exportação de commodities (produtos primários pouco transformados).

Ele acredita que esse modelo “permitiu resgatar milhões de brasileiros da pobreza extrema e manteve a grande maioria de brasileiros empregados”. Porém, dependia de alguns fatores, como a “abundância de dinheiro fácil do mundo, a aceleração febril do maior mercado brasileiro, a China, e a alta no preço dos produtos primários”. “Quando essas circunstâncias mudaram, esse modelo de desenvolvimento se esgotou”, explicou.

Educação – O ministro salientou que o Brasil avançou no acesso à Educação, mas a qualidade é “calamitosa”. “Ao final do Ensino médio, metade dos Alunos mal consegue ler um texto. E a metade que consegue ler não consegue entendê-lo”, disse. “É uma educação baseada em decoreba e em enciclopedismo, além de ser dogmática.” Ele defende “uma Educação analítica e capacitadora”, com cooperação entre os três níveis da federação, para socorrer a baixa qualidade de Ensino em determinados municípios, por exemplo.

Ajuste fiscal – Conforme o ministro, deve haver democratização da economia do lado da produção e da oferta, e não mais só do lado do consumo e da demanda. Nesse contexto, segundo ele, o ajuste fiscal deve ser entendido como “uma ponte, uma travessia” entre antiga estratégia e nova estratégia. Para Unger, está errada a visão de que o ajuste é feito para ganhar a confiança financeira e garantir crescimento da economia, haja visto que, na Europa, por exemplo, a austeridade fiscal se combina com a estagnação da economia. “O ajuste é para que o Estado possa iniciar um processo rebelde, com primazia do trabalho e da produção.”

O ministro salientou ainda que estratégia nacional só se efetivará quando houver políticas que aproveitem as vocações existentes em cada região. De acordo com Mangabeira Unger, ainda não existe uma ação política de inovação institucional. “Esse projeto pressupõe uma presunção de grandeza, o que, para nós, é uma ideia perturbadora”, concluiu.

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