Prefeitura de São Paulo fará consulta pública sobre novo currículo alinhado à Base

A maior rede municipal de ensino do país já começou a se alinhar à nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A partir desta segunda (24), a prefeitura de São Paulo dará início à primeira consulta pública sobre o novo currículo. Todos os professores e gestores da rede terão até o dia 11/08 para fazer uma leitura crítica da versão preliminar do documento e registrar suas impressões.

Nas próximas semanas, os técnicos da Secretaria Municipal de Educação vão percorrer as 13 diretorias regionais de ensino para dar orientações sobre como a consulta vai funcionar. Será possível preencher os formulários de resposta numa plataforma online ou montar grupos de estudo dentro das escolas, que farão a avaliação coletivamente.

Depois da consulta pública, o documento volta à prefeitura para ser ajustado. A previsão da é que o novo currículo seja adotado nas escolas municipais a partir de 2018.

Ao tomar esta decisão, a capital paulista é uma das primeiras redes do país a adotar as diretrizes, ainda em construção, da BNCC. Vale lembrar que a BNCC não é currículo. Ela organiza um núcleo comum a todas as escolas do país. A partir da Base, cada rede terá de desdobrar o documento em seu próprio currículo, respeitando as particularidades locais.

A iniciativa de São Paulo deve ser acompanhada de perto por todos os educadores do país. Afinal, em alguns meses todas as redes do país terão de revisar seus currículos. Desta forma, a experiência paulistana pode ser muito útil, antecipando problemas e soluções.

Não é cedo demais?

Você, que vem acompanhando as discussões sobre a Base, pode se perguntar: mas a Base já está valendo? A resposta é simples. Não está. A terceira versão do documento foi publicada em abril deste ano e está passando por consultas públicas, organizadas pelo Conselho Nacional de Educação, em várias cidades do país, com participação de professores e gestores.

Ao tomar a dianteira, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo já sabia disso. À NOVA ESCOLA, a secretaria informa que o currículo será maleável o suficiente para se ajustar à versão final do documento, mas ainda não há uma posição oficial sobre como isso poderia ser feito. Ao longo do primeiro semestre, a prefeitura realizou diversas ações participativas para debater possíveis caminhos para o documento. Foram realizadas pesquisas com pais e alunos da rede, além de diversos grupos de trabalho (GTs). O resultado desse processo e do esforço dos técnicos é o material preliminar que será avaliado na consulta.

Essa maleabilidade será fundamental para o sucesso do currículo. Para Andréa Patapoff, integrante da equipe responsável pela terceira versão da Base de Educação Infantil, pode haver alterações drásticas no documento do Ministério da Educação (MEC), mas a prefeitura teria acertado ao dar início aos trabalhos. “Talvez seja cedo para se pensar em currículo, mas as discussões precisam começar a ser feitas com os professores”, diz.

Segundo a especialista, antes de pensar na estrutura curricular, é fundamental que os profissionais compreendam a reorganização proposta pela Base: “Se não houver um trabalho de formação que deixe claro que a Educação Infantil não estará mais organizada em disciplinas e sim em campos de experiência, pode haver muita confusão nos debates e na aplicação das novas diretrizes”.

Apesar da rapidez na adoção da Base, o caso paulistano não é isolado. Outras cidades já se preparam para incorporar o documento em sua rede. Em Campinas, por exemplo, as creches conveniadas já estão conversando com professores para avaliar como vão adaptar o currículo à lógica dos campos de experiência.

A prefeitura de São Paulo ainda não divulgou detalhes de como será realizada a consulta pública ao novo currículo. A expectativa é que a convocação seja feita até esta sexta (21).

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