Se a proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos da União é uma necessidade para o equilíbrio das contas públicas, a dificuldade é estabelecer as prioridades e como melhorar os gastos na educação.
Para os participantes da terceira edição do Por Quê?, ciclo de debates sobre economia, realizado na tarde desta sexta-feira no Insper, a medida terá pouco impacto imediato no financiamento do sistema educacional. Mas a restrição trará uma discussão benéfica sobre como o dinheiro será gasto, que pode ser uma oportunidade para a melhora do nível nacional.
Para o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), a falta de um limite de gastos faz com que seja fácil defender a educação como uma prioridade, pois inclui-se de tudo no Orçamento. “Todos os parlamentares consideram educação prioridade, porque não têm que abrir mão de nada. Quero ver quando tiver que tirar recurso para o subsídio de uma fábrica lá no Estado dele. Antes, dava para construir estádio e escola. Com a PEC, será preciso definir qual a prioridade”, explica. Segundo Cristovam, se a sociedade brasileira não fizer a opção por priorizar a educação, é preciso respeitar a escolha, em nome da democracia, e entender que não é o momento para esse tipo de discussão.