‘Mais Educação’: notas pioram apesar de investimento

Implantado em escolas da rede pública do país em 2008, o Programa Mais Educação, que investe na ampliação da jornada escolar dos alunos, ainda não causou o impacto esperado entre os alunos beneficiados e, em alguns casos, mostrou piora.

Os dados, mostrados pela Fundação Itaú Social, em parceria com o Banco Mundial, foram apresentados em conferência na tarde desta segunda-feira, em São Paulo.

— A única coisa que a gente encontra é que as escolas que investem mais em recursos conseguem uma taxa de abandono menor. Ou seja: um dos objetivos do programa é manter o aluno na escola. E também que o desempenho médio em Matemática aumenta nos municípios mais ricos —explica Naercio Menezes Filho, professor do Insper e da USP.

Foi feita uma análise quantitativa em cerca de 2.600 escolas que aderiram ao programa, em comparação com as que não aderiram, mas que são parecidas em termos de números de alunos e turno, por exemplo, nos anos entre 2008 e 2011.

— Os indicadores são taxa de abandono e desempenho em Português e Matemática. E tentamos ver se existe alguma diferença de acordo com a cobertura na escola, a proporção de alunos que participaram das atividades, também custo por aluno e macrocampos escolhidos — informou Naercio.

Para se tentar entender o porquê de o programa não ter um impacto significativo nesses sete anos, foi feito um estudo de caso para mapear as formas de implementação e gestão do Mais Educação. O levantamento foi feito em seis redes de ensino, municipal e estadual, nos municípios de Bonito (PE), Maracanaú (CE), São Bernardo do Campo (SP), Porto Alegre (RS), Distrito Federal e Goiás.

— Os estudos de caso nos mostraram que quando o programa de educação integral chega na escola, existe um período de adaptação em que a escola precisa redimensionar suas ações, e que isso demora um tempo. A princípio, isso acaba gerando uma desorganização na rede. Com o passar do tempo os efeitos negativos tendem a sumir — apontou Karen Dias Mendes, gestora de Avaliação da Fundação Itaú Social.

Entre os problemas observados estão a repetição do reforço pedagógico ao que já estava sendo feito e ausência de apoio maior das secretarias de Educação quanto a questões como melhor capacitação dos professores.

Numa avaliação geral, mostrou-se que, em comparação com as escolas que não aderiram ao programa, as instituições inseridas no Mais Educação tiveram o impacto médio nulo em Português e na taxa de abandono e negativo em Matemática, sendo este numa magnitude pequena e, que se dissipa ao longo dos anos de implementação do programa.

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