O Guia Nacional do Livro Didático 2005 estará na página eletrônica do MEC a partir da próxima semana. O documento, com cinco volumes – um para cada área do conhecimento –, começa a chegar no final de março a 46.700 escolas públicas, onde trabalham 570 mil professores. Cada escola receberá entre três e dez exemplares do Guia, conforme o número de alunos que possui. Já os professores terão prazo até maio para indicar com quais livros querem trabalhar. As indicações poderão ser feitas neste endereço eletrônico ou no formulário-resposta do Guia, a ser preenchido e entregue nas agências dos Correios.
Com tiragem de 64 mil exemplares, o Guia traz resenhas de 368 livros – sendo 28 de Português, 23 de Matemática, oito de Ciência, 22 de História e 11 de Geografia –, que somam 92 coleções. Desta vez, destina-se à escolha de livros para alunos de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e tem validade para três anos. O do ano passado foi para livros de 1ª a 4ª séries. O processo de avaliação e aquisição de livros didáticos começa com antecedência para que escolas e alunos tenham os livros logo no início do ano letivo.
Com base nas escolhas dos professores, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC) vai adquirir 124 milhões de livros didáticos e 4 milhões de dicionários para serem utilizados em 2005. A compra é uma das ações do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que tem a preocupação de adquirir obras didáticas de qualidade. Para isso, elas são rigorosamente avaliadas. É a avaliação que garante aos professores e alunos trabalhar conteúdos com segurança, sem a veiculação de informações preconceituosas e discriminatórias. Até chegar às escolas, o Guia passa por um longo e detalhado processo de elaboração, desde a inscrição das obras até a avaliação propriamente dita – um trabalho que envolve técnicos do Ministério e equipes da Secretaria de Educação Infantil e Fundamental (Seif), do FNDE e de Universidades. Para confeccioná-lo, são estabelecidos procedimentos metodológicos, técnicos – princípios e critérios –, operacionais e o cronograma de execução.
O primeiro Guia Nacional do Livro Didático foi publicado em 1997. Desde então, a avaliação do livro didático teve muitos avanços, decorrentes não só da experiência acumulada nos processos anteriores, mas também de uma análise criteriosa desses processos.
Novidades – Até o ano passado, os professores escolhiam livros com base nas resenhas e em conceitos: recomendados e recomendados com ressalva. O Guia de 2005 apresenta as resenhas e apenas livros recomendados. “Mudamos a concepção gráfica e editorial do projeto para motivar o professor a consultá-lo”, diz Lucia Helena Lodi, chefe do Departamento de Políticas Educacionais da Seif. Ela destaca a contemplação da diversidade no Guia, que exibe, na capa, imagens de aluno negro, asiático, branco, portador de deficiência física e índio.
Professores aguardam o Guia Nacional do Livro Didático
Vilany Kehrle
Elena Maria de Lima, coordenadora pedagógica da Escola Estadual Hugo Santos Silva, que fica no Guarujá (SP), está entre os 570 mi professores que trabalham nas 46,7 mil escolas de ensino fundamental do País que irão receber, em março deste ano, o Guia Nacional do Livro Didático de 2005, destinado a alunos de 5ª a 8ª série, distribuído pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC).
“Gosto muito de participar do processo de escolha dos livros, analisar um a um e descobrir que cada um deles tem algo diferente. Se dependesse de mim, escolheria todos”, declara Elena. Ela considera que o Programa Nacional do Livro Didático, adotado pelo FNDE desde 1997, é muito bom, tem controle bastante organizado e se aprimora a cada ano.
A professora Célia Obo, do Colégio Estadual Douradina, que fica na cidade do mesmo nome, no Paraná, também elogia o sistema de distribuição do livro didático realizado pelo MEC. Ela conta que, antes da adoção do PNLD, utilizava com freqüência material de livros que, mais tarde, passaram a fazer parte do Programa. “Infelizmente, não podia adotar as próprias obras, por serem muito caras para os alunos comprarem”, declara. Célia Obo, que ensina matemática a alunos do ensino fundamental e médio, diz que gostaria que a listagem dos títulos das obras chegasse mais cedo às escolas. Assim seria possível fazer a escolha com mais cautela e segurança. “Podemos descobrir, mais tarde, que um ou outro livro, que não ficou entre os indicados pelos professores, poderia ter sido adotado pelo MEC”, diz.