Grandes editoras revelam crescimento de até 11% na importância do digital no seu faturamento

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De acordo com a pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro, realizado pela Nielsen, a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL), em 2019, a indústria brasileira do livro apurou faturamento de R$ 103 milhões com a venda de e-books e audiolivros. A segunda edição da pesquisa já está nas ruas, levantando os dados que serão compilados e deverão ser apresentados pelos realizadores do estudo ainda nesse primeiro semestre, mas já é esperado um crescimento importante nessa cifra.

A pandemia acelerou o processo de digitalização dos conteúdos editoriais brasileiros. Em maio, no auge do primeiro pico da crise sanitária, Marcelo Gioia, CEO da Bookwire no Brasil, concedeu entrevista ao PN apontando que nos 49 primeiros dias do isolamento social, a distribuidora entregou 9,5 milhões de unidades, o que representava 80% de tudo o que a empresa colocou no mercado ao longo de todo 2019.

Mais tarde, em novembro, a própria Bookwire encomendou ao consultor austríaco Rüdiger Wischenbart um relatório que apontou que o crescimento se manteve perene ao longo do ano, criando um novo patamar no mercado de conteúdos digitais no Brasil.

Nesta terça-feira (02), representantes de três grandes editoras brasileiras – Companhia das Letras, Record e Globo – participaram do MobiEditorial, evento realizado pelo portal Mobile Time, especializado na cobertura do mercado de telefonia móvel. Em comum, os representantes das três editoras informaram que registraram crescimentos expressivos nas vendas de digitais em 2020, corroborando o relatório de Rüdiger.

Mauro Palermo, diretor da Globo Livros, e Marina Pastore, gerente de projetos digitais da Companhia das Letras, por exemplo, disseram que, em 2019, o digital representava cerca de 6% do faturamento das empresas. Em 2020, esse número saltou para 11% no caso da Globo. No Grupo Companhia das Letras, de acordo com Marina, a importância do digital chegou a 10% no pico da pandemia e encerrou o ano entre 8% e 9%. “Hoje estamos num patamar digital muito maior do que em 2019. Nosso medo era que voltasse atrás, mas parece que vai se sustentar”, disse Marina. “Durante estes meses, parecia perigoso receber pacotes de livros em casa, por isso houve um aumento do consumo do digital, uma migração do impresso para o digital. Em julho, este pico diminuiu porque as pessoas entenderam que não vão se contaminar com o papel. Então houve uma retração. Terminamos 2020 com 11% da nossa receita vindo de livros digitais. Em 2019, este número foi de 6%”, completou Mauro Palermo, diretor da Globo Livros.

A mesa com os editores contou ainda com a participação de Lizandra Magon, da Jandaíra, que também revelou crescimentos importantes nas vendas de conteúdos digitais, muito impulsionado por seu catálogo que dialoga com questões raciais, tema que esteve muito em voga em 2020.

Os modelos de negócios baseados em assinaturas também foi tema da conversa. A fala dos editores foi convergente quanto à necessidade de se democratizar o formato entre os leitores e não leitores do Brasil. “A visão da Record é a de que o Brasil está muito atrás de outros países. A gente vê [os modelos de assinatura de livros] como uma estratégia de marketing. Claro que não vamos colocar nosso frontlist nessas plataformas, mas para livros que estão um pouco esquecidos ou para o primeiro título de uma série, a gente acha interessante o modelo de subscrição”, disse Roberta Machado, vice-presidente do Grupo Editorial Record. “São iniciativas importantes para democratizar a leitura e reconhecemos que precisamos aumentar essa base, mas sem deixar de proteger o valor e de pensar no longo prazo. Como meio de fomentar a base leitora é interessante”, completou a executiva.

Os modelos baseados em distribuição a usuários de linhas telefônicas – como a Skeelo e Livroh, da Verisoft, ambos patrocinadores do evento – foram escrutinados pelos participantes. “O modelo é brilhante, considerando a base instalada de 200 milhões de linhas telefônicas no Brasil. Nada é mais democrático no Brasil, quando se pensa em capilaridade, do que o celular. Essa distribuição patrocinada pelas telefônicas é um modelo vencedor, com números exuberantes e ajuda a gente a falar com leitores que não são leitores de livros ou que não são leitores. É muito importante”, avaliou Palermo. “A decisão pela plataforma é do leitor e não do editor”, arrematou o diretor da Globo Livros.

Os audiolivros também fizeram parte da conversa. A Record, que mantém na sua estrutura, estúdio e um narrador fixo, tem apostado no crescimento. Para Roberta, o modelo trouxe economia e agilidade, conseguindo gravar cerca de cinco títulos por mês dentro de casa. “O que pesa no audiolivro é o alto investimento. Barateando isso, a gente consegue fazer uma produção maior”, completou. Ressaltou, no entanto, que é uma curva de aprendizado difícil e que, mesmo mantendo essa estrutura, recorre a terceirizados na produção de seus audiolivros. A Record é uma das sócias – ao lado da Sextante e Intrínseca – da Autibooks.