As mudanças no ensino médio anunciadas pelo governo federal nesta quinta-feira (22) repercutiram entre os participantes da terceira edição do evento Educação 360, que começou nesta sexta-feira (23) e vai até este sábado (24), em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. O evento é promovido pelos jornais “O Globo” e “Extra”.
A secretária executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, abriu o encontro pela manhã. As discussões à tarde foram sobre a escola e comunidade. O debatedor convidado foi o sociólogo e membro do Conselho Nacional de Educação, César Callegari.
Ao final do evento, Callegari comentou sobre as mudanças anunciadas pelo governo. ” Não se faz educação, não se faz reforma educacional sem a participação dos principais. Os principais são os professores, são os alunos, a comunidade. É deles que depende o sucesso de um avanço educacional. E isso nós precisamos garantir. Não com Medida Provisória, mas com participação”.
Na opinião dele, a medida foi tomada para atender secretarias estaduais de educação que enfrentam problemas com falta de estrutura e professores. Callegari diz que a redução do currículo obrigatório é preocupante.
“Essa MP pretende reduzir pela metade os direitos de aprendizagem dos jovens brasileiros que tem um curso de 2 mil e 400 horas. No artigo 36, diz o seguinte ‘o currículo obrigatório da Base Nacional Comum tem que ser dado em 1 mil e 200 horas’. E depois, e o resto, como vai ficar? Isso não pode acontecer”, disse.
Professores que participam do encontro também criticaram a decisão do governo. Para o professor de biologia, Marcelo Lasneaux, do Instituto Federal de Brasília, é necessário um debate sobre o assunto.
“Parece uma decisão oligárquica, meia dúzia que se juntaram e decidiram o que era a síntese de toda a discussão e isso gerou uma medida provisória”. Para ele, a mudança não vai repercutir em nada. ” A questão de reagendar os currículos ela é primária e descontinuada. O que a gente precisa parar e discutir é um modelo de escola que está falido”, disse.