O Brasil sofreu uma queda de 6,2% no número de matrículas do ensino médio nas escolas públicas — o que equivale a 425 mil estudantes a menos. Os dados fazem parte do Censo Escolar 2025, divulgado hoje pelo MEC (Ministério da Educação).
No ano passado, 6,3 milhões de alunos estavam no ensino médio público, contra 6,7 milhões de 2024. É o menor número desde 2019 na rede pública de ensino. Na rede privada, houve um ligeiro crescimento, de 1.030.548 para 1.036.655.
São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul lideram queda de matrículas. A diminuição paulista é de 16,5%, acima da média nacional. No Paraná, a redução foi de 6,4% e no Rio Grande do Sul, de 4,6%. O ensino médio é a última etapa da educação básica.
A divulgação ocorreu direto de Manaus. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, a escolha pela região foi uma “tentativa de descentralizar” as ações do MEC de Brasília.
Segundo o governo Lula, queda tem relação com a diminuição da população. Além disso, o ministro da Educação afirmou que o Brasil melhorou o fluxo, ou seja, os alunos não têm repetido.
A taxa de distorção idade/série tem diminuído, aponta pesquisador do Inep. Fabio Bravin citou também que o indicador que mede se o aluno está na série adequada para faixa etária caiu de 25,3%, em 2021, para 16% no ano passado. O Inep é um instituto ligado ao MEC e responsável pelos dados do Censo Escolar.
Há também casos de aumento do número de matrículas do ensino médio. Em Sergipe, houve aumento de 68,8 mil alunos no ensino médio para 72,9 mil. Já Pernambuco saiu de 297 mil para 299,9 mil estudantes. O governo Lula (PT) criou em 2023 o programa Pé-de-Meia, que oferece R$ 200 por mês a alunos de baixa renda com o objetivo de reduzir a evasão escolar, mas a maioria das matrículas dessa etapa é de responsabilidade dos estados.
Quase todas as etapas de ensino sofreram alguma diminuição. Na creche, foram 4,187 milhões em 2024 contra 4,182 milhões no ano passado. O Brasil tinha como meta ter 5 milhões de crianças de 0 a 3 anos na escola. Os números incluem as redes pública e privada da educação infantil.
Ao todo, a redução de matrículas na educação básica foi de 1 milhão de 2024 para 2025. Do total, quase 800 mil correspondem aos alunos da rede pública —federal, estadual e municipal. É o menor número de alunos desde 2021, quando o Brasil registrou 46,6 milhões de matrículas.
Brasil ainda tem o desafio de garantir acesso e permanência dos alunos, afirma especialista. “Embora haja menos jovens, uma parcela maior deles está, de fato, na escola”, afirmou Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social. Para isso, segundo ela é preciso “uma articulação federativa mais forte e estratégica”.
“Perdemos um milhão de matrículas apenas no último [ano], mas isso não é um problema. É, na verdade, um bom sinal de que nosso sistema educacional está mais eficiente.” Camilo Santana, ministro da Educação.
Ensino integral cresce
O Brasil manteve a tendência de crescimento no ensino integral. O número subiu de 1,5 milhão, em 2024, para quase 1,7 milhão no ano passado. Escolas de ensino integral oferecem uma carga horária, em alguns casos, de até nove horas e meia por dia.
São Paulo, que registrou queda em 2025, teve recuperação discreta. Em 2025, foram 337 mil matrículas no ensino integral, contra 334 mil em 2024 —no ano anterior, no entanto, o estado atingiu 340 mil alunos na modalidade. Os dados são referentes às redes federal, estadual e municipal.
A jornada estendida é avaliada positivamente por especialistas de todo o mundo. Essas unidades, idealmente, oferecem uma grade curricular diferente das escolas com horário tradicional.