Educação `está na UTI`, diz Cristovam em audiência sobre 20 anos da LDB

Ao conduzir audiência pública sobre os vinte anos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), nesta quarta-feira (30), o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) comparou a situação atual da educação no país com a de um doente em unidade de terapia intensiva. A situação ainda é mais grave, no seu entender, pelo alto grau de polarização que percebe tanto entre os educadores quanto na sociedade como um todo.

— Estamos numa UTI num navio avariado, com a tripulação amotinada e dividida, baseada em conceitos falsos, e no meio de um tsunami — comparou Cristovam na audiência promovida pela Comissão de Educação, Esporte e Cultura (CE).

Um dos participantes da audiência, o professor Ademir Almagro, que tem 25 anos de experiência na rede municipal de ensino de Belo Horizonte, lamentou que o dinheiro destinado ao setor ainda seja percebido em nosso país como `um gasto` e não como `um investimento no futuro`.

Ele criticou a maneira pela qual a Medida Provisória do Ensino Médio (MP 746/2016) estabelece o ensino em tempo integral. Ele afirmou que apoia o aumento da carga horária, mas ponderou que a medida estaria sendo instaurada sem nenhum planejamento específico ou estrutura pedagógica, funcional ou de investimentos com este fim.

— Agora estão falando de 8 horas, vai lá e cumpra-se. Sem nenhuma estrutura, sem nenhuma diretriz de gestão. Eu vou ser professor de teatro, de artes cênicas? É algo fora da realidade e feito sem diálogo — criticou Almagro, para quem a evasão escolar aumentará com esta medida.

Transformação do modelo

Outro participante, o professor Carlos Sávio, da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que tanto ativistas quanto os gestores da área ainda sofrem da `obsessão` de incluir estudantes ou aumentar verbas num modelo `horrível`, quando o foco deveria ser `transformá-lo`.

Ele também acredita que o país sofre de uma `loucura anti-corrupção`, em que um prefeito ou um secretário pode ser afastado por desvio de verbas, mas nada acontece se eles forem péssimos gestores.

— É obvio que quem é ladrão tem que ser afastado, mas o problema sistêmico da educação brasileira se dá na incompetência, não na corrupção, embora ela exista — disse.

Cristovam também alertou que o conceito de corrupção seria mais profundo, manifestando-se de maneira concreta nas prioridades que são eleitas por cada governante.

O professor da UFF ainda avalia que o governo, o Congresso e os movimentos sociais deveriam centrar forças num novo arranjo institucional visando compensar as profundas desigualdades regionais presentes na educação brasileira.

O consultor Marcelo Ottoni, do Senado, também participou e concordou que pode ser `ineficaz` implantar um regime de ensino integral num modelo educacional ruim. Também considera um desafio superar os desníveis regionais e entre as capitais e os municípios do interior, no que se refere à educação.

Menu de acessibilidade