Debatedores defendem a integração dos ensinos médio e profissional

Deputados e especialistas defendem a integração dos ensinos médio e profissional. O tema foi debatido em audiência pública da Comissão de Educação da Câmara sobre os impactos da Reforma do Ensino Médio, em vigor desde fevereiro deste ano. Uma das novidades do texto é a criação de itinerários formativos, por meio dos quais o aluno pode focar uma especialização. 

Para os especialistas, a lei ajuda o país a elevar o índice de alunos que cursam os ensinos médio e profissional de forma integrada. Hoje, isso ocorre com apenas 8% dos estudantes brasileiros que estão no ensino médio. Esse índice chega a 70% em países como Japão, Finlândia e Áustria. No Chile, são 30%. Responsável pelas áreas de Educação do Senai e Sesi, o diretor da Confederação Nacional da Indústria, Rafael Lucchesi, disse que essa integração é fundamental para criar mais oportunidades para os jovens.

Rafael Lucchesi: “Nós temos uma escola século XIX, professores do século XX e essa garotada do século XXI. Não vai dar certo. Precisamos ter uma escola que seja mais interessante. Por que os países desenvolvidos têm um ensino médio flexível e diversificado? Porque isso afirma mais a cidadania, dá mais oportunidade para os jovens. Por exemplo, 90% dos brasileiros acreditam que a educação profissional vai dar mais oportunidade e 82% creem que vai dar mais renda”.

Segundo Lucchesi, 7 de cada 10 alunos formados no Senai conseguem emprego no primeiro ano, mesmo em período de crise econômica. Disse ainda que, nas 21 profissões mais demandadas pela indústria, o salário médio inicial está em torno de R$ 2 mil. Valor que se eleva para R$ 5 mil, com cinco anos de profissão; e entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, com 10 anos. Este é o valor pago, por exemplo, para um técnico em mineração.

A representante do MEC Eline Nascimento informou que a Base Nacional do Comum Curricular do Ensino Médio já está em elaboração, com previsão de implementação em 2019. Seminários e debates vão ajudar a definir como será aperfeiçoada a integração com o ensino profissional. A educação integrada tem o apoio do Conselho Nacional dos Secretários de Educação, como afirma o secretário da Paraíba, Alessio de Barros.

Alessio de Barros: “O Consed acha que é positiva a inclusão da formação técnico-profissional como itinerário frente às formações acadêmicas. É preciso de estímulos para a ampliação dessa oferta, com um desafio grande de organização curricular. Quando o curso é integrado, é preciso ter o desafio de integração dos conteúdos”.

O deputado Giuseppe Vecci, do PSDB de Goiás, coordenou a audiência pública e elogiou a Reforma do Ensino médio.

Giuseppe Vecci: “Antes tarde do que nunca. O Brasil acordou para a questão da educação profissional. O atraso em que nós estamos é muito grande. O nosso ensino médio é uma fábrica diplomas e certificados e não uma fábrica de profissão. E como ter empregabilidade sem profissão? Como ter um salário melhor e se inserir qualitativamente no mercado de trabalho, sem uma competência e uma habilidade profissional? Essa reforma vem na luta de tentar preencher essa lacuna”.

Os debatedores reconheceram que o financiamento será um dos desafios para implementar a integração dos ensinos médio e profissional no Brasil.

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