Os leitores futuros
Pais e professores enfrentam freqüentemente um problema cuja solução não é nem fácil nem óbvia: como fazer seus respectivos filhos ou alunos lerem, como fazê-los gostar da leitura? A revolução contemporânea nos meios de comunicação tornou a leitura mais, não menos, importante. Por exemplo, por mais “user-friendly“ que a internet seja, não há dúvida de que alguém habituado a ler é capaz de aproveitar seus recursos muito melhor. E a multiplicação paralela dos meios audiovisuais, com sua opulência de informações não raro contraditórias, requer igualmente uma capacidade de “ler nas entrelinhas“. Ocorre que a prática da leitura na idade adequada parece embutir no cérebro das crianças um “software“ específico, uma espécie de mecanismo subliminar que lhes permitirá depois acompanhar mais proveitosamente outras formas de narrativa, como o cinema. Gente que freqüente livros não apenas “mata“, digamos, a trama de um “thriller“ antes, mas também arquiva na memória cenas e seqüências que os menos afeitos à leitura esquecem logo. Já o teatro, o cinema e a televisão, ao que tudo indica, não inserem mecanismos semelhantes na mente de seu público. Resulta disso que, se a leitura prepara alguém para se tornar um bom cinéfilo, o contrário não se verifica.