Escola pública é objeto de desejo de grandes editoras

As novas diretrizes do governo federal para o ensino básico, que injetam mais dinheiro na compra de material didático e dão maior liberdade ao municípios, ampliam vendas de apostilas e treinamento de professores. A rede pública, que já vinha atraindo editoras antes dedicadas ao ensino privado, é hoje mercado estratégico para empresas como Anglo, Positivo e Sistema Uno (da Santillana).     São dois os principais fatores que influenciam essa aposta: a disposição do governo em investir mais em educação, através do recém-lançado Plano de Desenvolvimento da Educação, que destinará mais de R$ 8 bilhões até 2010 ao ensino básico; e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), criado em dezembro de 2006.     “Além do maior investimento em educação, o PDE e o Fundeb aumentam a autonomia das prefeituras, que podem decidir pelo livro didático oferecido pelo governo federal ou comprar um sistema de ensino“, diz Ryon Braga, presidente da consultoria Hoper Educacional. O sistema de ensino vendido pelas editoras reúne, em geral, apostilas, treinamento de professores e assessoria pedagógica.     Segundo Braga, o projeto que antecedia o Fundeb, autorizava o uso de sistemas de ensino apenas para o nível fundamental. Com a criação

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Muitos livros, mas pouco interesse

O governo brasileiro é o maior comprador de livros didáticos do mundo. Só neste ano foram 120,7 milhões de exemplares para os ensinos fundamental e médio, alfabetização de adultos e edições em braile. Estados e municípios ainda recebem bibliotecas, DVDs, vídeos e outros materiais de apoio aos professores. Ainda assim, a escola brasileira não consegue fazer seus alunos aprenderem ou se interessarem pelas aulas.     Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2005 mostram que 1,7 milhão de jovens de 15 a 17 anos não foram à escola naquele ano – 40% disseram que era por falta de vontade de estudar.     Para alguns especialistas, a razão da falta de interesse nas escolas é profunda. “O método de aprendizagem que existe hoje nas escolas é antinatural”, analisa Ben Sangari, presidente do Instituto Sangari, especialista em metodologia de educação. “Em geral, as crianças experimentam, investigam, questionam as coisas”, diz ele. “Mas, quando entram na escola, não aprendem da forma que lhes é natural. O problema não é o professor, o livro, a sala de aula, mas o método.”    Jorge Werthein, ex-representante da Unesco e hoje diretor da Rede de Informação Tecnológica da América Latina, concorda.

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Brasil conseguiu dar escola às crianças, mas desafio é ensinar a ler

Thamyris esteve pela primeira vez em uma sala de aula antes dos 4 anos, quando começou a freqüentar a creche. Jonas entrou direto na 1ª série porque o ensino era obrigatório. Hoje, Thamyris está com 13 anos, cursando a 7ª série e pensa em fazer faculdade para ser professora. Aos 14 anos, Jonas também está na 7ª, repetiu um ano e diz que pretende ser técnico de som.    O caminho dessas duas crianças têm em comum a escola pública no Brasil, uma rede que abriga 48,5 milhões de alunos – cerca de 87% das matrículas no ensino básico, que vai do infantil ao médio. Desde a década de 90, o País praticamente universalizou o ensino fundamental, com 97% das crianças de 7 a 14 anos matriculadas. O problema, porém, é que quantidade não significa qualidade. Isso porque 55% dos estudantes da 4ª série estavam na faixa crítica ou muito crítica na área de leitura, ou seja, no máximo conseguiam ler frases simples, segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2003, último disponível pela classificação que variava de avançado a muito crítico.    Em dez anos, as médias gerais do Saeb, que avalia português e matemática, caíram até

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Mais escolaridade, mas analfabetismo funcional persiste

De acordo com as informações do Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF), no período de 2001 a 2005, a escolaridade da população brasileira vem aumentando significativamente. Os dados do IBGE mostram, por exemplo, que a parcela de pessoas de 15 a 64 anos com no máximo quatro anos de estudo caiu de 37,9% para 33,6% entre 2002 e 2005, enquanto que a proporção daqueles que completaram o ensino médio ou superior subiu de 35,5% para 40,8% no mesmo período.     O INAF mostra, no entanto, que este aumento da escolaridade ainda não garante resultados positivos em termos de alfabetismo funcional. Outro dado, já conhecido pelo mercado livreiro, é de que as mulheres dedicam-se mais à leitura, enquanto os homens, com maior freqüência, a atividades de controle do orçamento e consumo doméstico.     Faça o download deste estudo na íntegra.

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Ministério errou resultados da Prova Brasil em 2006

Reportagem publicada na edição desta quinta-feira da Folha de S.Paulo revela que o Ministério da Educação divulgou dados errados sobre o resultado da Prova Brasil, exame nacional que avalia o desempenho dos estudantes de escolas públicas de todo o país, em 2006 –ano eleitoral.    “A rede municipal de São Paulo, por exemplo, figurava entre as piores capitais do país. Com a revisão dos dados, o sistema paulistano subiu para o bloco intermediário de desempenho. As informações sobre Porto Alegre, Belo Horizonte, Porto Velho e Boa Vista também estavam incorretos. O governo federal estima que os erros atingiram até 5% dos dados“, afirma.    De acordo com a Folha, o Inep admitiu à reportagem que “algumas informações divulgadas estavam incorretas“.    A Prova Brasil é um exame nacional, aplicado a todas as escolas públicas do país, que avalia língua portuguesa e matemática da 4ª e 8ª séries. O exame é usado para verificar a situação do aprendizado e para traçar políticas públicas na área.    As notas atualizadas podem ser vistas nas tabelas que originam o Ideb, indicador que será lançado oficialmente hoje no site do Inep. Procurado pela Folha, o instituto não se pronunciou. Confirmou apenas que houve a

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Ranking escolar aprova só 0,8% das cidades

Criado para nortear as políticas de melhoria na qualidade das escolas públicas do país, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), novo indicador desenvolvido pelo Ministério da Educação, mostra que apenas 0,8% dos municípios brasileiros já estão no patamar considerado ideal pelo governo federal.    O novo índice une num mesmo indicador o desempenho dos alunos nos exames Prova Brasil e Saeb (aplicados pelo MEC nas redes de todo o país) e as taxas de aprovação (que consideram a repetência).    Uma das finalidades do Ideb é mostrar se as medidas anunciadas anteontem pelo presidente Lula no PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) estão tendo efeito.    O índice aponta que hoje o país tem um Ideb de 3,8 e deve chegar a 6 até 2022, nota equivalente à média dos países desenvolvidos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos).    Para as redes municipais de ensino –principal foco das políticas anunciadas pelo governo– o objetivo é sair dos atuais 3,4 e chegar em 5,7 na quarta série do ensino fundamental.    Cada município, no entanto, terá sua própria meta, que será monitorada a cada dois anos pelo MEC. Hoje, as médias do Ideb na quarta série

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Plano da educação tem meta com prazo para 2022

O PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação) vai demorar até 2022 para cumprir seu principal objetivo e o Brasil atingir posição semelhante à dos 20 países desenvolvidos com melhores indicadores educacionais. Esse é o prazo para o país alcançar a principal meta do plano: elevar de 4 para 6 a média do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), metodologia recém-criada para avaliar o desempenho dos alunos dos ensinos fundamental e médio e que leva em conta o rendimento, a taxa de repetência e a evasão escolar. Cada município receberá uma nota, de 0 a 10, e metas bianuais, até 2021.    O MEC pretende concentrar esforços nos mil municípios com os piores indicadores. Eles receberão assistência técnica e ajuda financeira estimada em R$ 1 bilhão em 2007.    Com cerca de 50 medidas com foco da pré-escola a cursos de pós-doutorado, o PDE dependerá do aval do Congresso para levar adiante uma de suas propostas mais importantes, a que cria o piso nacional de salário de R$ 850 para professores da rede pública até 2010.    Também depende do Congresso mudar as regras de quitação dos empréstimos do Fies (Financiamento Estudantil), por meio das quais o governo espera gerar

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Dorina Nowill disponibiliza dicionário para deficientes visuais

Os deficientes visuais já podem fazer consultas rápidas ao dicionário. Inviável no modelo braille, devido a grande número de páginas necessárias, a Fundação Dorina Nowill para Cegos transcreveu o Michaellis – Dicionário prático da língua portuguesa, com 36 mil verbetes, para o formato LIDA – Livro Digital Acessível.     O LIDA é uma ferramenta inédita no mundo que permite ao usuário navegar pelo livro digitalizado. Para disponibilizar os textos nesse formato, os livros foram criptografados para garantir acesso somente ao deficiente cadastrado. “O usuário recebe senha pessoal, como garantia ao autor que cedeu os direitos gratuitamente, e faz a leitura por meio de um sistema de voz digital que emite em áudio as palavras escritas“, ressalta o idealizador do projeto e diretor de Tecnologia da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Edgar Pinto Ferreira Filho.     Para obter uma cópia gratuita, basta o deficiente visual se cadastrar na Fundação Dorina Nowill para Cegos pelo e-mail lida@fundacaodorina.org.br. Com o cd e a senha, o livro pode ser acessado de qualquer computador com placa e caixa de som. 

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Ex-ministros criticam, mas vêem avanços

O PDE lançado pelo presidente Lula foi criticado pelos ex-ministros da Educação e parlamentares Paulo Renato de Souza (PSDB-SP) e Cristovam Buarque (PDT-DF). Ambos admitem avanços, mas vêem problemas.    “O PDE é um pouco mais forte que uma aspirina, mas não chega a ser um antibiótico“, disse Cristovam.  Para Buarque, o avanço maior acontece nas etapas de educação superior e técnica, mas a educação básica -prioridade do PDE-não seria “nada além de um novo passo dos últimos 20 anos“.    Paulo Renato discorda. “Gostei muito da parte que aborda o ensino básico. É um verdadeiro plano“, disse. O ex-ministro do governo FHC questiona exatamente a parte do plano que recebeu elogios de Cristovam: “As medidas relacionadas ao ensino superior e técnico não resultam em um plano.“        Especialistas em educação opinam sobre o PDE Portal MEC – Letícia Tancredi    Educadores, ministros, embaixadores, parlamentares, empresários e representantes de ONGs compareceram à cerimônia de lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação, nesta terça-feira, 24, no Palácio do Planalto. Confira algumas opiniões de especialistas sobre as medidas:    Timothy Mulholland — Reitor da Universidade de Brasília — “O plano é louvável por seu espírito e pelos mecanismos que serão

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