Com quatro vitórias em cinco etapas disputadas, a equipe brasileira conquistou a medalha de prata no Torneio Internacional de Jovens Físicos, conhecido como a “Copa do Mundo de Física”. Na China, os cinco estudantes derrotaram potências, como EUA, Índia e Irã, e alcançaram a melhor colocação na história da competição, um honroso quinto lugar. A campeã foi a Cingapura, que conquistou o sexto título consecutivo, com China, Coreia do Sul e Alemanha completando o quadro de medalhistas de ouro.
— Chegamos pertinho do ouro — lamenta Ibraim Rebouças, monitor do Colégio Objetivo Integrado que está na China com a delegação brasileira. — Este é o melhor resultado que nós já conseguimos. Em 2015, ficamos na mesma posição, mas com pontuação mais baixa.
Fizeram parte da equipe brasileira três representantes de São Paulo: Gabriel Guerra Trigo e Bruno Caixeta Piaza, do Colégio Etapa de Valinhos, e Guilhermo Cutrim Costa, do Colégio Objetivo Integrado, além de Victor Cortez Crocia Barros, do Colégio Ari de Sá Cavalcante, no Ceará, e Vinícius de Alcântara Névoa, do Colégio Arena, de Goiás. Todos têm entre 16 e 17 anos e cursam o ensino médio.
Em vez de provas, batalhas
O modelo da competição é diferente de outras olimpíadas acadêmicas. Em vez das provas, são travadas as “Batalhas da Física”, com três equipes na disputa, sendo duas num duelo de perguntas e respostas e a terceira analisando o debate. Na primeira etapa, o Brasil foi derrotado por Coreia do Sul e Hungria, mas se recuperou nas quatro etapas seguintes, com vitória em todas as rodadas.
Participaram do torneio equipes de 32 países, que competiram entre os dias 19 e 26 de julho no Departamento de Física da Universidade Renmin, na China. A competição é disputada desde 1988 e tem Cingapura como maior vencedora, com sete títulos de campeã e oito medalhas de ouro, seguida por Alemanha, com seis torneios vencidos e nove medalhas de ouro.
Rebouças explica que os componentes da equipe brasileira são selecionados a partir de um torneio nacional, com equipes de todo o país. Os cinco times mais bem colocados indicam um representante, que passam por treinamento especial para a disputa. A preparação acontece nos colégios de origem dos alunos, com alguns treinos presenciais com a equipe completa, em São Paulo.
Guilhermo Cutrim conta que após a classificação, ele foi dispensado de algumas aulas da turma normal para focar no treinamento para o torneio. Estudante do segundo ano do ensino médio, ele considera o resultado importante por mostrar que o Brasil é capaz de disputar, de igual para a igual no campo da Física, com países de maior investimento na educação.
— Eu sempre gostei de ciências e, no nono ano, decidi que Física era o que a minha preferida — conta o jovem estudante, já pensando em planos futuros. — Eu ainda não tenho certeza do que pretendo estudar, mas acho que quero algo que envolva a Física Experimental. Uma Engenharia também é opção.