Bolsonaro nomeia militar para segundo maior cargo do ministério da Educação

Um militar foi escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) para ser o “número 2” do MEC (Ministério da Educação). A nomeação para o cargo de secretário-executivo que será ocupado por Ricardo Machado Vieira foi publicada na edição desta sexta-feira (29/03) do Diário Oficial da União. A posição estava vaga desde o dia 13 deste mês.

O novo “número 2” do MEC ocupava até fevereiro deste ano a função de assessor especial do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão também ligado ao ministério da Educação é responsável, entre outras funções, pela aquisição de livros didáticos para as escolas públicas.

Vieira é tenente-brigadeiro. Na carreira militar, já chegou a ocupar o posto de chefe do Estado-Maior da Força Aérea Brasileira (FAB).

Sua nomeação para a secretaria-executiva ocorre em um momento de disputa entre grupos de militares, técnicos e ideológicos, como seguidores de Olavo de Carvalho, considerado o guru da nova direita no país.

Nos ataques, alguns olavistas têm atacado diretamente os militares por uma suposta perseguição a eles. Por outro lado, a ala militar em torno da cúpula do governo busca retomar espaços no MEC. A confirmação do nome de Vieira, assim, representaria um aceno às demandas do grupo, que tenta levar adiante os planos traçados antes da nomeação de Vélez como ministro.

O nome do militar foi o quarto anunciado pelo governo de Jair Bolsonaro nos três primeiros meses da nova gestão para a segunda maior posição no MEC, pasta imersa em uma crise institucional.

Indicado por Olavo, o ministro da Educação sofre um período de desgaste desde o primeiro mês de governo. Em janeiro, o ministro recuou sobre mudanças em edital de compra de livros que suprimia o compromisso com a agenda da não violência contra mulheres e permitia obras sem referências e com erros.

Em fevereiro, o MEC enviou carta a escolas com slogan da campanha de Bolsonaro e pedido de filmagem de alunos cantando o hino. O episódio causou grande desgaste e provocou novo recuo. Um novo capítulo da crise começou no dia 8 deste mês, com uma dança de cadeiras e críticas de Olavo no Twitter ao ministro e integrantes do MEC.

Primeiro a ocupar o posto de secretário-executivo na nova gestão, Luiz Antonio Tozi permaneceu no cargo até 12 de março, e acabou demitido por Jair Bolsonaro quando tentou enfrentar os olavistas. Na ocasião, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, disse que Tozzi deixou a pasta em um “processo de reestruturação”.

Depois de Tozi, Vélez chegou a anunciar em uma rede social o nome de Rubens Barreto da Silva, o que não se concretizou. Iolene Lima foi a terceira opção do ministro para o cargo, mas acabou demitida oito dias depois de ser anunciada também por uma rede social.

CRISE INSTITUCIONAL

O processo de desgaste de Ricardo Vélez Rodríguez à frente do MEC ganhou força nesta quarta (27) após o presidente Jair Bolsonaro admitir que as coisas “não estão dando certo” no MEC.

“Temos que resolver a questão da educação. Realmente não estão dando certo as coisas lá, é um ministério muito importante”, afirmou o presidente em entrevista à TV Bandeirantes.

Nesta quinta-feira (29), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) admitiu que Vélez “tem problemas” por ser “novo no assunto” e que não teria “o tato político” necessário para o posto.

A saída do ministro seria uma questão de tempo. O nome mais forte até agora é do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), que tem apoio do bloco cristão desde o ano passado.

Apesar da movimentação, há certa cautela nas apostas dada a imprevisibilidade do presidente Bolsonaro e a influência sobre ele de Olavo e seus discípulos. Uma reunião entre Vélez e Bolsonaro está prevista para esta sexta.

 

Novo secretário-executivo do MEC é militar

Por: G1

Desocupado nos últimos dias, o cargo de secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC) foi preenchido por Ricardo Machado Vieira. A nomeação foi publicada na edição desta sexta-feira (29) do Diário Oficial da União (DOU).

Ricardo era assessor especial da presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) desde fevereiro de 2019. Ele é militar — segundo seu currículo, é tenente-brigadeiro e já ocupou o posto de chefe do Estado-Maior da Aeronáutica (FAB).

Em três meses de gestão, é a quarta vez em que o governo anuncia um nome para o cargo de “número dois” do MEC. Luiz Antônio Tozi permaneceu no posto até o dia 12 de março, quando foi demitido em um ato de “reestruturação” promovido pelo ministro Vélez.

Com a saída dele, o nome de Rubens Barreto da Silva, que até então era secretário-executivo adjunto, foi anunciado por rede social. A nomeação para o novo cargo, no entanto, não chegou a ser publicada no Diário Oficial.

Em seguida, Iolene Lima foi colocada no posto, também sem publicação no DOU. Ela foi demitida oito dias depois (leia mais abaixo).

Reunião de Bolsonaro com Vélez

O presidente Jair Bolsonaro marcou uma reunião para esta sexta-feira (29), às 10h30, no Palácio do Planalto, com o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez.

Na noite de quinta (28), Bolsonaro foi questionado duas vezes sobre a permanência de Vélez no MEC, mas ficou calado. A pasta enfrenta uma série de polêmicas e trocas de cargo.

Militares x seguidores de Olavo de Carvalho

Há uma disputa interna na área da educação sobre qual projeto de governo deve ser implementado. Os grupos em conflito poderiam ser chamados de “pragmáticos” e “ideológicos”.

O primeiro é formado por militares — incluindo generais, que foram os primeiros a serem envolvidos na campanha de Bolsonaro — e também por ao menos um coronel que tem afinidade com o ministro. A escolha de Ricardo Machado Vieira, tenente-brigadeiro, reforçaria essa equipe.

O segundo grupo é constituído por seguidores do escritor de direita Olavo de Carvalho e por ex-alunos do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. Vale lembrar que o próprio Vélez foi indicado por Carvalho.

O que quer cada um dos grupos?

A ala militar dentro do MEC pode ser considerada mais pragmática: parte dela ajudou na elaboração das propostas de campanha de Bolsonaro, que incluíam a defesa da educação a distância, a criação de colégios militares em capitais e a modernização da gestão na pasta.

Os olavistas chegaram à equipe sobretudo depois da vitória de Bolsonaro, causando atritos com os que já estavam contribuindo nas discussões sobre educação desde a campanha. O principal ponto para esse grupo “ideológico” é expulsar do MEC qualquer resquício do que chamam de “marxismo cultural” ou “pensamentos esquerdistas”.

Isso inclui a defesa de projetos como o Escola Sem Partido, revisão de questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou ensino que aborde questões de gênero nas escolas. De acordo com fontes ouvidas pelo G1, que não quiseram ser identificadas, o grupo ideológico também tem restrições à atuação do Conselho Nacional de Educação (CNE), à implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a pontos do Plano Nacional de Educação (PNE).

Antecessora não chegou a ser nomeada no Diário Oficial

A antecessora de Ricardo Machado Vieira, Iolene Lima, foi dispensada oficialmente do MEC na edição desta quinta-feira (28) do Diário Oficial. Formalmente, ela ainda ocupava a posição de “substituta eventual do cargo de Secretário da Educação Básica”.

Ela havia sido nomeada como secretária-executiva no dia 14 de março. O anúncio não chegou a ser oficializado no Diário Oficial, mas ela já seguia uma agenda pública ao lado do ministro Ricardo Vélez Rodríguez.

Oito dias depois dessa nomeação informal, Iolene foi informada de que não seguiria mais no ministério.

“Diante de um quadro bastante confuso na pasta, mesmo sem convite prévio, aceitei a nova função dentro do ministério. Novamente me coloquei à disposição para trabalhar em prol de melhorias para o setor. No entanto, hoje, após uma semana de espera, recebi a informação que não faço mais parte do grupo do MEC”, postou ela, em sua conta no Twitter.

 

 

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