Um gigantesco salto na inclusão

No Brasil, segundo dados do IBGE de 2010, são mais de 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual. No mundo, a cada cinco segundos, uma pessoa se torna cega.

O Sistema Braille foi criado em 1829 pelo francês Louis Braille e introduzido no Brasil em 1854, por José Álvares de Azevedo, com a fundação do Instituto Imperial dos Meninos Cegos, hoje Instituto Benjamim Constant, inaugurado por Dom Pedro II.

De lá para cá, o braille como suporte para o efetivo aprendizado e letramento das pessoas com deficiência visual consolidou-se, no entanto poucas inovações ocorreram ao longo dessa história, até muito recentemente.

Nesse novo cenário são notórios os ganhos em qualidade e em quantidade – veja-se o gráfico dos últimos 15 anos do número de títulos transcritos no Programa Nacional do Livro Didático, PNLD. Pela primeira vez é possível afirmar que o livro certo chegou para o aluno certo, na hora certa.

As inovações tecnológicas permitiram a introdução de formatos digitais com áudio, melhorias expressivas na impressão braille, como a utilização de dados variáveis, a viabilização da impressão em baixas tiragens e a impressão da tinta sincronizada com o braille. Esses recursos permitem maior autonomia para a pessoa com deficiência, e a impressão tinta-braille permite o acompanhamento da leitura por pessoas sem deficiência visual, além de significativa melhora na busca pela igualdade de oportunidades.

Se por um lado os recursos digitais facilitaram o contato e a obtenção da informação, por outro lado não substituíram o desenvolvimento das mesmas capacidades intelectuais que o letramento e a alfabetização em um código escrito propiciam. E se as pessoas com severas deficiências visuais não tiverem a oportunidade de desenvolver plenamente suas capacidades intelectuais, também lhes serão tolhidos os direitos de pleno exercício da cidadania.

O braille ainda é o único meio de contato com o código escrito disponível e dominar seu funcionamento por meio dos signos táteis é similar ao processo de domínio do funcionamento do sistema alfabético por um vidente, possibilitando às crianças e jovens o acesso aos conhecimentos formais e ao desenvolvimento cognitivo.

A praticidade dos formatos digitais é importante principalmente para estudantes de baixa visão, que podem utilizar sua capacidade visual e aproveitar recursos como fontes ampliadas e diferentes combinações de cores de fundo e texto. A navegabilidade de livros em formato Epub 3, assim como a possibilidade de ouvir a narração em alta velocidade, torna esse formato muito útil para alunos já alfabetizados e, preferencialmente, que dominem também o braille.

Para a produção dos livros didáticos em formatos acessíveis é importante ressaltar que a descrição de imagens é fundamental bem como a adaptação de elementos complexos como gráficos e mapas. Em muitos casos, também é preciso adequar exercícios para que atendam às necessidades dos estudantes com deficiência. A simples leitura por leitores de tela, ou outros dispositivos de leitura contemporâneos, sem o trabalho de descrição e adaptação dos conteúdos dos livros originais, é insuficiente devido ao alto grau de complexidade do conteúdo.

A complementaridade entre os formatos digitais acessíveis e os livros em tinta-braille é defendida por instituições reconhecidas internacionalmente, como a brasileira Fundação Dorina Nowill para Cegos, a norte-americana Perkins Foundation e o ICEVI – International Council for Education of People with Visual Impairment.

A oferta de livros tinta-braille integrada aos livros digitais acessíveis e também a novas tecnologias, como objetos impressos em 3D, é a melhor solução para atender ao direito à educação e informação dos estudantes com deficiência visual.

O mercado editorial continua investindo em recursos tecnológicos para atender não só as pessoas com deficiência visual, mas ampliando as formas de democratização da informação a outras necessidades, como Libras, por exemplo.

A expectativa é grande para que os livros do PNLD 2020 sigam o mesmo caminho de sucesso do PNLD 2019. Os principais produtores já atualizaram seus sistemas e pátios gráficos, e os alunos aguardam ansiosamente os livros tinta-braille para a continuidade de seu processo educativo.

Menu de acessibilidade