Apesar de ampliar a carga horária dentro da escola, a lei do novo Ensino Médio não impõe a adoção do tempo integral para todas as unidades. O MEC criou uma política de indução das escolas em tempo integral para estimular todos os estados do país a iniciarem e/ou ampliarem suas experiências. A ideia do Ministério da Educação é respeitar as especificidades de cada região, mas incentivar a transição para o modelo integral, visto os resultados apresentados no modelo de Escola em Tempo Integral adotado em estados como Pernambuco.
A partir da experiência bem- sucedida das escolas em tempo integral, implantadas em Pernambuco em 2004, na gestão do governador Jarbas Vasconcelos, o ministro da Educação, Mendonça Filho, decidiu nacionalizar a proposta. “As escolas que aderirem à política do MEC recebem apoio financeiro do governo federal. Pretendemos mais do que dobrar a oferta de matrículas em educação em tempo integral em todo o Brasil”, afirma o ministro Mendonça Filho, destacando que o governo federal está investindo R$ 1,5 bilhão para apoiar os estados nesse processo.
Pelo Plano Nacional de Educação (PNE), até 2024 a ideia é ter 50% dos alunos nesta modalidade. Especialistas alertam que é preciso garantir a continuidade dos projetos e também investir na aplicação do currículo para construir uma proposta eficiente.
“O estudante brasileiro é desfavorecido em relação aos outros do mundo, porque o país é o único que ainda tem ensino em um só turno”, ressalta o secretário de Educação de Pernambuco, Fred Amancio. Pernambuco tem a primeira experiência de escola pública em tempo integral do país, iniciada em 2004. Hoje, 51% das escolas são integrais, nas quais os alunos têm, ao longo dos três anos, cerca de seis mil horas de carga horária. Mesmo nas escolas regulares, o estado estabelece o mínimo de três mil horas. Neste ano, mais 39 escolas foram convertidas ao exemplo de referência.
Crescimento
Em 2004, quando as escolas começaram a ser implantadas em Pernambuco, o estado oscilava entre 22º e 23º lugar do país no Ideb. Em 2015, alcançou o primeiro lugar. “É a prova de que devemos investir em política pública de qualidade e ter o compromisso de continuar o que está dando certo. Pernambuco deu esse exemplo”, afirmou Mendonça, entusiasta do modelo de escola em tempo integral.
Para o secretário Fred Amâncio, as escolas de tempo integral não são o único motivo, mas elas foram fundamentais para Pernambuco bater as metas do MEC para resultados do Ensino Médio no Ideb. “Desde 2013, temos a menor taxa de abandono escolar”, destaca.
Para ele, o “segredo do sucesso” não está no aumento do tempo, mas no uso desse horário com foco no conceito de projeto de vida. A estudante da rede estadual Isabela Vasconcelos, 17, diz que o ensino integral mudou a sua relação com o mundo. “Aprendi a me comunicar melhor com as pessoas, pois a convivência aumenta. Me tirou de uma zona de conforto”, conta.
Na visão de Olavo Nogueira, a explicação para o êxito pernambucano está na continuidade do projeto por distintas administrações estaduais. “É o elemento chave. A política vem sendo aprimorada e não descontinuada.”