Hoje foi discutido, a partir das 9h, na reitoria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a proposta de formação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que redefine os objetivos de aprendizagem das crianças de educação infantil e jovens do ensino fundamental. O Amazonas é o primeiro Estado a receber a audiência pública, outras quatro reuniões irão ocorrer até o mês de setembro.
O presidente da comissão do Conselho Nacional de Educação, Cesar Callegari, responsável pelas audiências públicas, explicou que será a discussão inicial da proposta elaborada pelo Ministério da Educação (MEC). “Nos entregaram em abril deste ano e essa proposta vai definir exatamente o que cada criança e cada jovem têm o direito de aprender ao longo de cada um dos anos escolares, em qualquer parte do Brasil”, diz.
De acordo com Callegari, a proposta vai envolver a reorganização do currículo das escolas públicas e particulares, além fazer um redesenho do material didático distribuído pelo programa Nacional do Livro Didático. “O grande problema que nós temos hoje é que cada um no Brasil faz o que pode e não o que é necessário pela educação desses jovens. Em muitos lugares, professores ensinam sobre o que estão preparados para ensinar e não o que os alunos precisam saber. Então, isso gera uma dispersão curricular muito grande no Brasil”, explicou.
Callegari disse que, após a aprovação da proposta, será definido, por exemplo, como as crianças devem ser alfabetizadas. Segundo ele, os estudantes, no segundo ou terceiro ano do ensino fundamental, deverão conseguir escrever textos simples e pensar sobre a realidade própria. “Nós vamos claramente definir que as crianças todas têm o direito a estarem alfabetizadas e vamos dizer o que significa estar alfabetizada. É uma criança que consegue escrever um bilhete, um texto com número pequeno de orações subordinadas e consegue pensar de forma mais letrada a respeito da própria realidade”.
Conforme Callegari, a base nacional é um conjunto de referencias que cada escola da rede pública ou particular de ensino terá que observar . “Vão ter que acompanhar para refazer e utilizar as propostas curriculares. Então, não vamos ter um currículo único, nada disso, vamos ter um referencial único que dá um novo alinhamento sobre o que é realizado nas escolas”.
Outras quatro oportunidades
A Audiência Pública foi realizada, hoje, a partir das 9h, na reitoria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Essa é a primeira. Outras quatro serão realizadas em Recife, Florianópolis, São Paulo e Brasília até setembro. Após as reuniões e a partir da colaboração da sociedade, o material será enviado ao MEC.
Formação
Para Cesar Callegari o grande desafio será a formação dos professores tanto dos que integram o atual sistema de educação quanto os que estão em formação nas academias ou pretendem ser professores.
“Eles precisam se apropriar, precisam ler, estudar, se preparar e se capacitar para esse novo modelo. Há uma tarefa muito grande por parte das secretarias de educação. Terão que capacitar e dar um novo treinamento para a formação continuada desses professores”, disse.
Callegari informou que a partir do momento que o conselho aprovar essa proposta, será transformada em uma norma nacional e será obrigatória de se acompanhar e observar. “Não será uma lei, mas um norma, que está a baixo da lei, mas deve ser cumprida no novo modelo de ensino nas escolas do Brasil”.
Secretário destaca participação
As Audiências Públicas terão a participação de secretários municipais e estaduais de ensino, além de representantes de universidades, associações de educação e representantes de professores. O Secretário de Estado da Educação do Amazonas (Seduc), Arone Bentes, destacou a importância da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e das Audiências Públicas.
“A vinda do Conselho Nacional de Educação ao Amazonas significa que a União destaca como muito importante o Estado para o fortalecimento das discussões que são fundamentais para o ensino. A educação básica é um gargalo de importância para o País, e nela, muitas vezes reside as maiores crises e é um discussão recebe o aporte de quem participa da educação no Amazonas e no Brasil e dá voz a quem quer contribuir com essa norma”.