O auditório do jornal Cruzeiro do Sul sediou, na última sexta-feira (30), o fórum de discussão A Reforma do Ensino Médio — Tendências e Debates. O encontro, uma iniciativa conjunta do Colégio Politécnico de Sorocaba e da Somos Educação, reuniu gestores e docentes das redes pública e privada com o objetivo de debater os caminhos para tornar o ensino médio uma etapa mais eficiente da educação básica.
As atividades foram conduzidas por representantes da Somos Educação e acompanhadas pela diretora do Colégio Politécnico, Sidnei Silva. O sociólogo Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação e da Câmara de Educação Básica, foi o convidado especial do encontro. “Concretamente, as mudanças devem acontecer nas escolas por volta dos anos 2020 ou 2021. Esse tempo passa rápido e as escolas, públicas e particulares, já precisam olhar para seus projetos pedagógicos e ter as ideias de como irão organizá-lo. Algumas, inclusive, já têm se antecipado a favorecer um tipo de aprendizado mais integrado e articulado para os estudantes”, comentou.
De acordo com Callegari, após a promulgação da medida provisória do governo que estabeleceu a reforma, em fevereiro deste ano, o momento é de construção da Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio, que será instituída pelo Conselho Nacional de Educação, a partir de uma proposta que virá do Ministério da Educação (MEC). “Essa proposta ainda está sendo elaborada pelo MEC. A partir do momento que chegar ao conselho, faremos as audiências públicas e discussões”, explicou. Para ele, a maior dúvida dos educadores e gestores, em relação ao assunto, ainda é saber como a mudança acontecerá na prática. “Sabemos apenas que serão instituídas cinco possibilidade de percursos formativos para opção dos estudantes. Mas nós ainda não sabemos o que tem atrás disso, que tipo de infraestrutura e que tipo de formação os professores precisarão ter para isso.”
Dados reforçam
Para os debatedores, repensar o ensino médio brasileiro é uma necessidade real, reforçada pelos dados do País. “90% dos jovens que concluem o ensino médio não têm conhecimentos mínimos em matemática. 78% não têm em língua portuguesa. Esse é um retrato do fracasso não só do ensino médio, mas também das etapas que vêm antes dele”, acredita Callegari. “Embora simples, esse é um momento importante pois provoca o nascimento de um trabalho que tem que crescer, pois precisamos preparar um novo ensino médio para nossos jovens”, falou Sidnei Silva. Participaram ainda do evento, como debatedores, Durval Guimarães, Fabrício Vieira e Eduardo Kruel, da Somos Educação, e Luciane Durigan, auxiliar de direção do Colégio Politécnico de Sorocaba.