Novo texto da Base Nacional Curricular atende a demandas importantes

A nova versão da Base Nacional Comum Curricular apresentou melhorias importantes em relação ao primeiro texto, divulgado em setembro de 2015. A opinião é de especialistas da área de Educação ouvidos pelo GLOBO, que acreditam que a discussão deve continuar e que o documento precisa ser levado adiante.

— Os pontos centrais mais críticos foram de certa forma contemplados nesta segunda versão. Agora precisamos mergulhar no documento e ver o que mais precisa ser mudado — avalia o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Ramos. — Na prática, esse avanço foi importante. A Base tem que ser dinâmica. Um currículo que queira efetivamente discutir e formar gente para o século XXI tem que ter essa capacidade de mudança, sem perder sua estrutura.

Entre as alterações mais significativas está a organização da base a partir das etapas da Educação básica: Ensino infantil, Ensino fundamental e Ensino médio. Antes, a Base era orientada a partir das disciplinas. Para Alice Andrés, secretária do Movimento Pela Base Nacional Comum, a alteração está entre os aspectos mais relevantes do novo texto, já que a disposição é importante para observar a progressão dos Alunos, além de ser um fator que pode contribuir para melhorar a transição de um segmento para o outro:

— A nova versão foi reorganizada por etapas, isso indica maior foco no desenvolvimento dos Alunos e não no conteúdo, o que pode ajudar a transição de um segmento para outro. DESAFIOS OPERACIONAIS Apesar de o documento ainda estar em construção, a superintendente do Movimento Todos Pela Educação, Alejandra Velasco, diz que é fundamental analisar desde já o que acontecerá quando ele for finalizado. Um dos pontos levantados por ela é a estrutura existente para colocar o texto em prática em todo o País.

— Uma vez aprovado, o desafio é como levar isso para as Escolas. Qual o apoio técnico da União para se levar essa base para estados e municípios? Como essa Base vai definir a formação dos Professores? De que maneira mudará o material didático? Como as Escolas vão trabalhar com os currículos para adaptá- los à nova base? Existe uma série de ações de caráter operacional que precisam acontecer para essa base sair do papel — afirma.

Outro ponto para o qual os especialistas chamam atenção é que a Base seja vista como uma política de estado, independente de qual seja o governo.

— É muito importante , especialmente em um momento de instabilidade política, que um processo como esse não volte à estaca zero — defende Alice Andrés.

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