O MEC (Ministério da Educação) divulgou nesta quarta-feira (16) a proposta da Base Nacional Comum Curricular, documento que detalha o que precisa ser ensinado aos alunos em cada etapa de ensino e disciplina da educação básica.
Para especialistas ouvidos pelo UOL, a iniciativa é um avanço, mas falta rigor no que se espera dos estudantes.
`Há uma baixa expectativa na disciplina de língua portuguesa. É esperado de um aluno do 9º ano em escrita de um texto narrativo a mesma coisa que se espera de um aluno do 5º ano nos Estados Unidos`, avalia Paula Louzano, pesquisadora da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo).
Ela afirma, ainda, que esperava maior coerência na estrutura do documento. `Nos currículos internacionais de países de bons resultados, existe um foco claro em mostrar de maneira explícita a progressão da complexidade.`
Para Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e blogueiro do UOL, foi um erro não envolver na produção do documento atores relevantes, especialmente influentes na formação de professores.
`Para dar certo, qualquer instrumento curricular deve ser validado por professores, formadores de professores e pelo conjunto majoritário da comunidade educacional. Caso contrário, tende a virar letra morta ou mecanismo pouco relevante, ficando restrito a orientar a produção de livros didáticos e materiais pedagógicos`, avaliou.
Consulta pública
Anna Helena Altenfelder, superintendente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação e Ação Comunitária), acompanhou a reunião na qual o MEC apresentou o documento. `Fiquei bastante impressionada e animada pelo que vi. Merece destaque o currículo de educação infantil`, avalia. Para ela, o currículo de linguagens traz uma abordagem `bastante contemporânea`, fazendo relação com a realidade dos alunos.
A proposta do documento preliminar da Base Curricular Comum Curricular agora deve receber críticas e sugestões no site da iniciativa. O objetivo é que a versão final seja encaminhada ao CNE (Conselho Nacional de Educação) no início de 2016.
Cleuza Repulho, do Movimento pela Base Nacional Comum Nacional, acredita que o documento foi um bom começo e que agora é preciso ouvir a sociedade. `Não é algo para fazer em pouco tempo. Agora é envolver todos os atores, que são os executores, os professores que estão na sala de aula, as editoras que fazem os materiais didáticos`, afirma.
Contudo, Repulho ressalva que a Base Nacional Comum não deve ser encarada como uma `bala de prata que vai resolver todos os problemas`.