De acordo com a Unesco, ainda existem no mundo 781 milhões de analfabetos (16% da população mundial), dois terços dos quais mulheres, e 58 milhões de crianças fora da escola primária.
Dados do Relatório de Monitoramento Global, publicado já neste ano pela Unesco, da estratégia Educação Para Todos (EPT), criada na Tailândia, em 1990 e renovada em 2000 em Dakar, apontam o Brasil como o oitavo lugar entre os países com o maior número de analfabetos no planeta.
Segundo o Ministério da Educação (MEC), de uma taxa de 12,4% em 2001, chegamos em 2012 a uma taxa de 8,7%. Sim, há uma redução. Um dos maiores desafios, porém, segundo o próprio MEC, é a “diminuição da desigualdade de acesso às oportunidades educacionais às pessoas de baixa renda”. A busca de universalizar a alfabetização para toda a população acima de 15 anos esbarra em variáveis ainda de peso muito forte, como classe social, renda, etnia e localização. Existem, por exemplo, quatro vezes mais jovens negros analfabetos no Nordeste que a média nacional.
Mesmo sabendo que o direito à educação não inclui teto de idade nem data de vencimento, o financiamento à educação de jovens e adultos é bem aquém se comparado ao campo da educação básica regular, com um agravante que, na verdade, recai sobre as duas realidades: a qualidade e a eficácia dos serviços ofertados e a relevância social dos programas.
Os números do Sistema Brasil Alfabetizado (SBA) revelam que um montante significativo de alunos não consegue se alfabetizar apesar de concluir os oito meses do Programa Brasil Alfabetizado (PBA) e, pior, uma quantidade insignificante se matricula na modalidade de Educação de Jovens e Adultos ao concluir o PBA, segundo informações do professor Timothy D. Ireland, da Universidade Federal da Paraíba, Cátedra Unesco de Educação de Jovens e Adultos.
No campo da educação básica, só no Ceará, conforme divulgação recente de indicadores do Sistema Permanente de Avaliação da Educação (Spaece), de 2014, os níveis de alfabetização dos estudantes de escolas públicas cearenses cresceram 5,5%, somente entre 2013 e 2014. Sobre tais números, em conversa nesta semana com uma amiga professora da rede pública, revelou-se preocupação com a tal qualidade do que se está mensurando na escola.
Ela me contou muito da preparação mecânica que se faz, em diversas escolas, com o estudante que vai fazer a prova e do esforço, muitas vezes braçal, até mesmo de ir buscar em casa, para ter o estudante em sala de aula, no dia de aplicação da prova. “Quer-se o maior
número de alunos e estuda-se a prova de maneira mecânica. Eles aprendem a ler, sim. Sabem decodificar. Alfabetizados assim, eles estão. Mas ler mesmo, a maioria não sabe. Não entendem o que leem. Isso para mim é continuar analfabeto”, defende.
O analfabetismo, visto sob todos os ângulos, é mesmo ainda uma grande afronta à humanidade; fere a democracia e o exercício da cidadania plena.