Em Paraty, editores, livreiros e produtores culturais relataram o quanto o ânimo do mercado editorial está afetado pela crise econômica e política.
“O cenário é bem conservador neste e no próximo ano”, afirma Pedro Herz, fundador da Livraria Cultura, que contou que não há previsão de abrir novas lojas por ora. O cenário se agravou, e há demissões em muitas casas editoriais, aquelas que “têm seus projetos com bases fincadas em vendas governamentais que foram descontinuadas”, observa Cilene Vieira, sócia da Vieira & Lent. “Para as editoras que não dependem das compras governamentais, mas das vendas diretas aos leitores, a situação também não é boa: a queda do poder aquisitivo dos leitores é visível.” Afetada justamente pelo recuo das compras do governo, que representavam 30% de sua produção, a Cosac Naify veio à Flip com menos de um terço da equipe que costumava. A editora “tenta se adaptar ao novo cenário”, como conta a diretora editorial Florencia Ferrari. Teve de dispensar editores e reduzir a quantidade de títulos lançados por ano – de 100 para 55. Nos últimos anos, a área de literatura fora incentivada pela homenagem ao Brasil em feiras como as de Frankfurt e Paris. A preocupação”, diz Marifé Boix Garcia, vice-presidente de Negócios para sul da Europa e América Latina da Frankfurter Buchmesse, “é que os editores brasileiros se foquem demais na crise, deixando de viajar como nos anos anteriores”. Como reforça, “é importante não desaparecer do mapa”.