Editoras animam-se com isenção de tributos

A redução tributária proposta pelo governo federal na semana passada pode trazer novas expectativas para o mercado editorial no próximo ano.  
 
Depois de enfrentar um ano sem muitas oscilações em termo de receita, o setor deve fechar 2004 com um volume de R$ 2,4 bilhões, segundo dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL), explica Marino Lobelo, vice-presidente de comunicação da entidade. Para 2005, algumas editoras aguardam uma melhora de até 20%, animadas com as mudanças. “Sem a redução, acreditávamos ter um ano muito parecido”, avalia Lobelo, lembrando que a medida ainda terá de passar no Congresso. 
 
Com a isenção das taxas de PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), calcula-se a redução na cobrança de 3,65% do faturamento das empresas que trabalham com lucro presumido e 9,25% das que recolhem impostos sobre o lucro real. 
 
Segundo Angel Bojadsen, diretor editorial da Estação Liberdade e Presidente da Liga Brasileira de Editoras (LIBRE), a Constituição Federal de 1988 já previa a imunidade do livro a impostos, embora o PIS e o Cofins fossem taxas. “Essa desoneração não é um presente do governo, ele está trocando isso por tributos para o Fundo Pró-Leitura”, explica, referindo-se ao 1% que será recolhido do faturamento das editoras para ações de fomento à leitura.  
 
Bojadsen acredita que o anúncio é um ganho não só para o consumidor, como para o setor. “A gente precisa de dinheiro para arriscar. Trabalhando em consignação (isto é, a livraria só paga quando vender), não podemos investir”, reclama. “Lidamos com livrarias descapitalizadas, com índices de inadimplência que chegam a 25% em estados mais críticos como Bahia e Pernambuco”, completa. A LIBRE engloba 85 editoras que geram, cada, uma receita média de R$ 800 mil reais por mês. “Temos 10 editoras que faturam acima de R$ 1 milhão por ano”, contabiliza. 
 
Já para João Arinos, diretor-superindente do Grupo Abril Educação , que comporta as editoras Ática e Scipione, duas das maiores do país em livros didáticos, e presidente da Associação Brasileira de Editores e Livros Escolares (ABRELIVROS), o cenário para 2005 será menos favorável mas por outro motivo. Seu principal comprador, o governo federal, que corresponde a 75% de suas vendas, estará em um ano de reposição. “A compra do governo é cíclica. Esse ano ele vai adquirir 16 milhões de livros, o que representa uma queda dos 114 milhões de livros que comprou em 2003, para seu principal programa, o Plano Nacional do Livro Didático (PNLD)”. 
 
Ática e Scipione, juntas, têm hoje cerca de 500 títulos de livros didáticos e 3000 de não-didáticos e pretendem crescer 10% no número de títulos para 2005 e até 5% no faturamento de 2004, que deve chegar a R$ 370 milhões.  
 
De acordo com o diretor da Summus Editorial e ex-presidente da CBL, Raul Wasserman, 2004 começou muito bem. Até abril, a editora crescia numa taxa de 25%, que em maio começou a cair e fez com que fechassem o ano com uma média de crescimento de 10% no número de livros e no faturamento. “Isso se deveu ao desemprego e recessão que atingiu a classe média”, argumenta. 
 
Em 2005, a editora pretende crescer de 15% a 20%, mas acredita que o importante é que o mercado mantenha a estabilidade, para possibilitar o investimento. “Livros são projetos de longo prazo”, lembra. Wasserman acredita que a medida do governo possa auxiliar também na redução do preço para o consumidor. “Com as medidas do Fundo Nacional de Leitura, será possível melhorar a aquisição de acervos para bibliotecas, o que é um fator importante para o aquecimento da indústria”. O diretor da Summus lembra que 2004 será o ano latino-americano de incentivo à leitura, o que poderá refletir em mídia e divulgação. 
Segundo Bojadsen, é importante lembrar que “o povo não vai começar a comprar livro sem aprendizado de leitura”.  
 
Já na SENAC-SP , editora de títulos técnico-científicos, a alta no faturamento foi de R$ 1 milhão em relação a 2003, fechando o ano com R$ 17 milhões. “As pessoas têm buscado mais reciclagens e cursos”, avalia Marcus Vinícius Alves, editor corporativo. Sua previsão para 2005 é de crescer 10%. 
 

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