O Ministério da Educação vai enviar a todas as 136.934 escolas públicas de ensino fundamental do país 4,6 milhões de dicionários, dentro do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), executado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC). O Diário Oficial da União do último dia 29 de setembro publicou a lista dos 18 dicionários que irão compor os dois acervos diferentes que serão entregues pelo MEC. Os dicionários beneficiarão cerca de 17 milhões de alunos das quatro primeiras séries do ensino fundamental. O investimento total será de R$ 32.499.979,40.
Os dicionários foram escolhidos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob a orientação da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC). Os dicionários serão para uso coletivo, e cada uma das 158.162 salas de aula de 1ª a 4ª série do ensino fundamental terá o seu acervo. Um acervo vai atender os alunos em fase de alfabetização e o outro servirá aos estudantes de turmas em processo de desenvolvimento da língua escrita.
Mudanças – Desde 2001, cerca de 38,9 milhões de dicionários foram distribuídos aos estudantes para uso pessoal. Até este ano, o dicionário era de propriedade do aluno. A partir de 2005, a sistemática de distribuição foi reformulada, de maneira a dar prioridade à utilização do material em sala de aula. Assim, em vez de entregar uma obra para cada estudante, o MEC vai fornecer acervos de dicionários para todas as escolas públicas de 1ª a 4ª série do ensino fundamental.
Além disso, as obras passaram a ser adaptadas ao nível de ensino do aluno, da seguinte forma: dicionários do tipo 1 – com 1 mil a 3 mil verbetes, adequados à introdução das crianças a este tipo de obra; dicionários do tipo 2 – com 3,5 mil a 10 mil verbetes, apropriados a alunos em fase de consolidação do domínio da escrita; e dicionários do tipo 3 – com 19 mil a 35 mil verbetes, direcionados para alunos que já começam a dominar a escrita.
As turmas de 1ª e 2ª séries vão receber dicionários dos tipos 1 e 2, enquanto as de 3ª e 4ª séries ganharão os dos tipos 2 e 3. Nas redes públicas que adotam o ensino fundamental de nove anos, os dicionários 1 e 2 serão irão para os alunos de 1ª a 3ª série e os tipo 2 e 3, para os de 4ª e 5ª séries.
MEC modifica critério de seleção e distribuição de dicionários para escolas públicas
(Assessoria de Imprensa da SEB/MEC)
A partir de 2006, os estudantes da rede pública das primeiras séries do ensino fundamental vão ter acesso a dicionários adequados à sua faixa etária e à série em que estão matriculados. Até então, os dicionários eram distribuídos pelo Ministério da Educação para as crianças na 1ª série do ensino fundamental e deveriam ser usados até a 8ª série, mesmo sendo inadequados para as crianças mais novas.
Os acervos, agora, serão coletivos e os professores receberão orientações para a utilizar o material em sala de aula. “Na realidade, são duas mudanças bem-vindas: adequa os dicionários à idade dos alunos e os professores passam a receber uma orientação de como utilizar esses acervos coletivamente”, afirma Francisco das Chagas Fernandes, titular da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC).
Os dicionários distribuídos pelo MEC e usados entre os anos de 2001 e 2003, cerca de 38,9 milhões, não indicaram melhora na média do aprendizado da língua portuguesa, conforme atestam os resultados de leitura do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) no ensino fundamental. Na 4a série, a média de proficiência foi de 165,1 em 2001 e 169,4 em 2003 – mínimo considerado adequado é 200 pontos. Na 8a série, a média foi de 235,2 em 2001 e 232 em 2003 – mínimo adequado é 300 pontos.
A política de seleção e distribuição de dicionários foi reformulada a partir do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 2006. Para priorizar a utilização desse material na escola os alunos terão à sua disposição vários dicionários e os professores receberão sugestões para utilizar o material em sala de aula. A adequação do material didático à faixa estária do aluno é fator determinante para o estímulo ao seu uso pelas crianças, o que poderá contribuir para o aprendizado da língua portuguesa. O uso coletivo de dicionários diferentes em sala de aula permite o atendimento de crianças com diferentes níveis de aprendizado e a comparação entre as várias obras.
Classificação dos dicionários – A Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) recebeu inscrição de 60 dicionários para avaliação, segundo os critérios do edital do PNLD 2006. Dezoito deles foram selecionados pela Universidade Federal de Minas Gerais – Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), com acompanhamento de Maria da Graça Krieger, professora do curso de letras da Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), lexicógrafa, consultora da SEB e membro da comissão técnica do PNLD para dicionários. A lista das obras selecionadas foi publicada nesta sexta, 30, no Diário Oficial da União.
Os dezoito dicionários selecionados são classificados em três tipos, de acordo com a proposta lexicográfica (seleção de palavras e informações disponíveis), número de verbetes, tamanho de letra e existência ou não de ilustrações: tipo 1 (de mil a 3 mil verbetes), adequado à fase inicial de alfabetização; tipo 2 (de 3,5 mil a 10 mil verbetes); e os do tipo 3 (com 19 mil a 35 mil verbetes, serão orientados pelas características de um dicionário padrão, mas adequado a alunos de 3ª e 4ª série. Até a distribuição anterior de dicionários, pelo MEC, em 2002, todos os dicionários selecionados correspondiam ao tipo 3.
Cada um dos acervos que serão distribuídos para as séries iniciais do ensino fundamental é composto por 9 dicionários. O acervo 1, voltado para turmas em fase de alfabetização, com crianças de seis a oito anos – 1a e 2a séries ou 1o, 2o e 3o anos – do ensino fundamental, é composto por dicionários tipo 1 e tipo 2. O acervo 2, dirigido a turmas em processo de desenvolvimento da língua escrita – 3a e 4a séries ou 4o e 5o anos – é composto pelos tipos 2 e 3. O MEC distribuirá um acervo para cada sala de aula. Os novos dicionários serão de uso coletivo em sala de aula.
Segundo a diretora de Políticas de Educação Infantil e Ensino Fundamental do MEC, Jeanete Beauchamp, o dicionário da criança que está em processo de alfabetização não deve ser o mesmo de um aluno que está concluindo o ensino fundamental. “Entregar um dicionário com configuração lexicográfica mais complexa – número excessivo de verbetes, fonte menor, entre outros aspectos – para a faixa etária de seis a oito anos, funciona como um desestímulo ao uso”. Vários dos dicionários selecionados para o PNLD 2006 são ilustrados, recurso importante para o aluno que está iniciando o processo de aprendizado da escrita.
Os alunos das séries iniciais, matriculados no próximo ano, já terão as obras adequadas para a sua faixa etária. Os demais alunos matriculados hoje, no ensino fundamental, já receberam dicionários em anos anteriores e agora terão a possibilidade de usar, também, os acervos coletivos, compostos por dicionários de diferentes autores, o que permite a comparação e o enriquecimento do trabalho.
Todas as cerca de 51 mil salas das séries iniciais do ensino fundamental (1ª a 4ª série ou 1o ao 5o ano) de 136 mil escolas da rede pública receberão os acervos do MEC, totalizando 4,6 milhões de exemplares. A distribuição dos novos dicionários beneficiará 17 milhões de aluno.