Seriam 15 livros didáticos, no mínimo, a cada ano letivo, que a paraense Noelma Alves de Morais teria de comprar. Contudo, seus três filhos fazem parte do universo de 32 milhões de estudantes que se beneficiam do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), executado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC). Érica Fernanda (13 anos, 7ª série), Celina Vanessa (12 anos, 5ª série) e Emerson (10 anos, 4ª série), estudam no Centro de Ensino Fundamental número 1 da Vila Planalto (DF) e vão receber os livros até dia 20. Noelma, uma faxineira radicada há 12 anos no Distrito Federal, diz que não conseguiria manter os três filhos na escola se tivesse de adquirir os livros didáticos. “Já tenho de comprar o material de escola e, como ganho pouco, receber os livros de graça é uma grande ajuda, principalmente porque são de qualidade, atuais e integrados com o estudo de hoje”.
No ano passado, Érica Fernanda, a filha mais velha, gostou especialmente do livro de Geografia. Este ano, ela está ansiosa para receber os novos livros. “Minha mãe já assinou o termo de compromisso e quero passar o final de semana dando uma olhada”. A família diz cuidar muito bem dos livros, porque sabe que eles servirão para outros estudantes, no próximo ano.
Bússola – Na Escola Classe da Superquadra Sul 209, no Plano Piloto, em Brasília, onde estudam 300 crianças de 1ª a 4ª série, os livros do PNLD também fazem sucesso. “Eles são a bússola dos professores”, afirma a vice-diretora da escola, Mara Rocha da Silva. Segundo ela, os alunos adoram os livros porque são novos e bem coloridos. Esta semana, antes de entregar os 1.145 livros e 42 dicionários, a escola carimbou cada obra. Os pais dos alunos foram orientados a ajudar as crianças a conservá-los e devolvê-los no final do ano. “Informamos à regional de ensino o nosso estoque de devolução e se em alguma escola faltar um ou dois livros, por exemplo, é feito o remanejamento”, explica a diretora Deborah Noely. A seu ver, os livros do PNLD são muito utilizados pelos professores e alunos, mas a escola não se limita a eles, oferecendo outras alternativas de aprendizagem.
A orientadora educacional da escola, Eliana Dayer, lembra que livros são uma mercadoria cara. Para economizar, Eliana sempre optou por comprar livros usados em casas especializadas em Goiânia. “Brasília precisa adquirir esta cultura, inclusive na rede particular”, finaliza. Hoje, quem precisa comprar livros didáticos novos para os filhos sabe que a quantidade não é pequena e o custo, tampouco.
Operação – O PNLD/FNDE já distribuiu cerca de 120 milhões de livros didáticos – aproximadamente 50 mil toneladas – a 153 mil escolas públicas do ensino fundamental do País, para serem utilizados este ano. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) recolhe os livros diretamente das editoras e começa a operação de distribuição cinco meses antes do início das aulas, para que nenhum aluno fique prejudicado nem tenha o estudo comprometido