O segundo semestre representa um momento decisivo para o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). Enquanto professores e redes de ensino se preparam para escolher as obras que chegarão às escolas em 2027, toda a cadeia editorial entra em uma nova etapa de planejamento e produção. É um período que evidencia uma característica essencial do programa: sua capacidade de articular ações de longo prazo, sustentadas por planejamento, previsibilidade e continuidade.
O primeiro semestre de 2026 trouxe resultados importantes. As obras resultantes da revisão do Novo Ensino Médio já estão nas escolas, ampliando as possibilidades de aprendizagem para milhões de estudantes. Também avançaram os programas de obras literárias, com a conclusão das aquisições referentes ao edital de 2023 e a finalização da contratação das obras de 2024, que formarão novos acervos para estudantes dos anos iniciais e finais do ensino fundamental. Soma-se a isso o lançamento da plataforma MEC Livros, iniciativa que amplia o acesso à leitura em um momento em que o país enfrenta o desafio de recuperar seus índices de formação de leitores.
Em relação ao PNLD 2027 para os anos iniciais do ensino fundamental, [RM1.1]a expectativa é que, a partir da publicação do guia do PNLD, prevista para agosto, mais de 81 mil escolas realizem a escolha das obras que melhor dialogam com seus projetos pedagógicos e com a realidade de seus estudantes. O edital incorporou avanços relevantes, como o fortalecimento das ações voltadas à alfabetização, em sintonia com o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, além da possibilidade de oferta de materiais de língua estrangeira, da obra de produção de texto e da inclusão de conteúdos de educação digital desde os primeiros anos escolares.
Cumprida essa etapa, inicia-se um trabalho igualmente estratégico e pouco visível para quem acompanha apenas a chegada dos livros às escolas. Editoras, indústria do papel, parque gráfico, empresas de logística e os Correios passam a atuar de forma integrada para que milhões de exemplares estejam disponíveis no início do ano letivo de 2027. Em um setor que mobiliza milhares de profissionais e depende de uma capacidade industrial cada vez mais restrita, o respeito ao calendário é determinante para assegurar eficiência e preservar a qualidade das obras, submetidas, em todas as fases, aos rigorosos controles do próprio programa.
Ao mesmo tempo em que o PNLD 2027 entra em sua fase final, as editoras concluem as obras do PNLD 2028 destinadas aos anos finais do ensino fundamental, que começam a ser entregues para avaliação entre o fim de agosto e o início de setembro. Esse movimento demonstra que o programa é uma política pública construída com antecedência e visão de longo prazo, garantindo estabilidade para as redes de ensino, segurança para o planejamento editorial e, sobretudo, continuidade no atendimento aos estudantes.
O principal desafio para os próximos meses será assegurar os recursos necessários para manter esse ciclo. A diferença entre o orçamento hoje disponível e a demanda estimada para as aquisições exige diálogo permanente com o Ministério da Educação e o FNDE. Preservar a previsibilidade orçamentária é tão importante quanto cumprir o calendário operacional. É essa combinação que permite ao PNLD seguir cumprindo sua missão de levar materiais didáticos e literários de qualidade a milhões de estudantes brasileiros, no momento em que eles mais precisam: o primeiro dia de aula.
* Ângelo Xavier é presidente da Abrelivros – Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais