Além do diploma, os futuros alfabetizados do programa de erradicação ao analfabetismo do Ministério da Educação ganharão de presente clássicos da literatura brasileira adaptados para facilitar a leitura de pessoas que ainda não possuem um vasto vocabulário. A medida faz parte do projeto Leitura e Ação que pretende estimular o hábito da leitura entre os recém-alfabetizados. As obras literárias sofrerão modificações e terão uma linguagem mais simples, o que facilitará o entendimento dos textos.
As histórias continuarão as mesmas, mas a escrita rebuscada, característica dos autores mais antigos, será substituída. As três primeiras publicações do projeto foram lançadas pelo ministro Cristovam Buarque na Bienal do Livro, em São Paulo. A coleção tem o nome de É Só o Começo.
– A intenção é similar a dos cursos de inglês. Começamos lendo livros mais fáceis para depois entendermos os mais complicados. Por isso, daremos aos recém- alfabetizados boas obras, mas com uma linguagem para iniciantes – explica o secretário Nacional de Alfabetização, João Luiz Homem de Carvalho.
A missão de reescrever os textos, inicialmente, será da editora gaúcha L&PM Pocket. Na Bienal de São Paulo, uma comissão de notáveis formada por escritores e donos de editoras foi escolhida para selecionar outros títulos que farão parte do projeto. Além da seleção, a comissão passará a ter a responsabilidade reescrever os futuros livros escolhidos.
Apesar do presente oferecido aos adultos que se alfabetizarem, Cristovam Buarque defende que eles recebam algum tipo de compensação financeira após completarem o processo de alfabetização.
A idéia do ministro é a de que o o governo compre uma carta que seria escrita pelo adulto alfabetizado assim que ele termine o curso. O objetivo é fazer com que o aluno esteja sempre motivado e não abandone as aulas.
Hoje, um dos principais problemas dos cursos de alfabetização é a evasão dos estudantes. De acordo com Eduardo Giraldez, diretor da ONG Escola do Rádio, que já alfabetizou mais de 70 mil adultos na Paraíba, cerca de 50% dos alunos abandonam os cursos de alfabetização.
– Precisamos encontrar alternativas para manter o adulto estudante. É complicado para uma pessoa que trabalha o dia inteiro aulas todos os dias – afirma.