São Paulo, 27 de setembro de 2007
Para Laura Greenhalgh
Editora do caderno ALIÁS
Jornal O Estado de S. Paulo
Prezada Laura,
A edição de domingo, 23 de setembro, do jornal O Estado de S. Paulo, trouxe em seu caderno Aliás algumas menções de educadores ao livro didático que entendemos como equivocadas. Em respeito aos leitores deste importante jornal gostaríamos de apresentar a visão de quem faz o livro didático no país.
Em primeiro lugar ressaltamos que a atual forma de escolha do livro didático é uma das mais democráticas e transparentes do mundo. O sistema é tão bem feito que prosseguiu mesmo com a mudança de governo. Graças a este esforço conjunto da sociedade, o Brasil tem um dos melhores programas de compra e distribuição de livros didáticos, além de reforçar a importância da livre escolha do professor. Ou seja, não há imposição de governantes na escolha da obra e os títulos e abordagens são variados.
Como o professor é parte fundamental neste processo, o educador fica confortável em utilizar em suas aulas o livro escolhido por ele. Por conseqüência, o aluno usará efetivamente o material. Também é importante ressaltar que diante de critérios tão rigorosos de escolha as editoras são forçadas a ter sempre o melhor livro didático possível, com investimento em autores, pesquisas e na qualidade de impressão.
A complexidade da edição e produção do livro didático, muito maior do que a de outros tipos de obra, assim como as altas tiragens necessárias à sua viabilização, exigem investimentos vultosos que aumentam significativamente o risco desse ramo editorial. Em conseqüência, as editoras organizam-se como empresas modernas. Dispõem de profissionais de alto nível, de complexa estrutura organizacional, de ampla rede de distribuição e de tecnologia sofisticada.
Portanto, não se pode criticar todo um sistema que vem dando certo há tanto tempo sem conhecê-lo com rigor e com mais profundidade. Nem criticá-lo em sua totalidade por causa de questões específicas e pontuais.
Atenciosamente,
João Arinos
Presidente da Abrelivros – Associação Brasileira de Editores de Livros
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