A abertura de uma simples chamada pública feita pelo Ministério da Educação (MEC) para selecionar avaliadores de livros didáticos virou motivo de disputa virtual nas redes sociais e aplicativos de mensagens. De um lado, “ateus, comunistas, feministas”. Do outro, “cristãos”. Todos mobilizados a “fiscalizar e denunciar” conteúdos que consideram inadequados em materiais que serão selecionados no ano que vem para as escolas públicas.
Uma das convocações é direcionada a “professores ateias/ateus, comunistas, feministas, de comunidade LGBT, das religiões afro-brasileiras, negr@s”;, para que aproveitem a oportunidade de fiscalizar “preconceitos contra a esquerda nas obras didáticas”. A outra é um pedido para pastores avisarem nas igrejas a “professores cristãos” que eles têm a chance de “fiscalizar e denunciar conteúdos que promovem a ideologia de gênero”.
As mensagens que circulam nas redes sociais trazem links para acessar o sistema do MEC de inscrição dos interessados, aberta desde a última segunda-feira. Para participar, é preciso ter no mínimo mestrado. Serão selecionados cerca de 600 professores das redes pública e privada da educação básica e da educação superior para fazer avaliação pedagógica de obras didáticas.
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