Saraiva compra grupo Siciliano

A Saraiva anunciou a compra de 100% das ações do grupo Siciliano. Segundo o diretor-presidente da Saraiva, Marcílio Pousada, a empresa vai pagar R$ 60 milhões pelo negócio e ainda assumir a dívida líquida (não auditada) da Siciliano, no valor de R$ 13 milhões. A negociação, que vinha se desenrolando desde agosto de 2007, inclui as atividades editoriais do grupo, com os selos Arx, Futura, Caramelo e ArxJovem, e também um site de comércio eletrônico.

As 63 lojas Siciliano -52 próprias e 11 franquias- passam a integrar a rede de livrarias Saraiva, que em dezembro de 2007 tinha 36 lojas próprias. Ao todo, a Saraiva passa a ter 99 livrarias, na maioria dos Estados brasileiros. Ainda segundo Marcílio Pousada, nos seis pontos (em shopping centers) onde há superposição de lojas, por ora, a Saraiva não pretende fechar nenhuma. “Apesar de serem concorrentes, as lojas Siciliano desses pontos também são rentáveis“, diz o diretor.

Não há previsão de mudança no nome das lojas Siciliano. De acordo com Pousada, o grupo pretende aprimorar o atendimento e “melhorar o acervo“ das livrarias compradas, sobretudo com a oferta de mais livros técnicos, segmento de excelência da Saraiva, e oferta, nas lojas maiores, de CDs e DVDs.

O diretor-presidente anunciou também a inauguração de mais três lojas da Saraiva: em Juiz de Fora (MG), no dia 31, e outras duas em São Paulo e no Sul, até o fim do ano.

Até a conclusão desta edição, a presidência e o conselho administrativo do grupo Siciliano não haviam comentado a negociação.

Históricos

A livraria Saraiva foi fundada em 13 de dezembro de 1914, pelo imigrante português Joaquim Inácio da Fonseca Saraiva. Apaixonado por livros jurídicos, Saraiva tinha um sebo no largo do Ouvidor freqüentado por professores e alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo.

Mais tarde, o sebo recebeu o nome de Livraria Acadêmica. Com a morte de Joaquim Saraiva, em 1944, os filhos do livreiro deram continuidade à empresa, ampliando as suas atividades com a instalação de uma gráfica.

Em 1996, a Saraiva abriu sua primeira loja com conceito “megastore“, no shopping Eldorado, em São Paulo. Hoje, a rede está presente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de Brasília.

Já a Siciliano foi criada em 1928 por Pedro Siciliano, e inicialmente comercializava apenas jornais e revistas. A inauguração da primeira loja especializada em livros foi em 1942, no centro de São Paulo.

Em 1988, o grupo passou a investir na área editorial com a publicação de livros infantis e literatura em geral. A Siciliano está presente em 12 Estados brasileiros, além do Distrito Federal: São Paulo, Rio, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Saraiva fecha compra da Siciliano por R$ 60 milhões
O Estado de São Paulo – Aluísio Alves

A livraria Saraiva anunciou, por meio de fato relevante, que fechou a compra da concorrente Siciliano por R$ 60,030 milhões. As empresas vinham negociando formalmente a negociação desde agosto do ano passado. Como parte da transação, a Saraiva assumiu a dívida líquida da Siciliano, que em 31 de dezembro de 2007 somava R$ 13,6 milhões, segundo dados não auditados. O preço de compra ainda está sujeito a ajustes, em função de eventuais variações que possam ocorrer no endividamento e da posição atual de capital de giro da Siciliano.  
 
Com essa aquisição, o grupo Saraiva, que já possuía 36 lojas próprias, passa a deter 99 lojas em sua rede.A Siciliano teve em 2007 faturamento consolidado bruto (não auditado) de aproximadamente R$ 156 milhões, dos quais R$ 151 milhões são provenientes das atividades de varejo e R$ 5 milhões são resultado das atividades editoriais representadas pelos selos Arx, Futura, Caramelo e Arxjovem. 
 
No fato relevante, a Saraiva informa que, com a compra da Siciliano, “amplia sua base de clientes com o objetivo de lhes proporcionar uma ótima experiência no relacionamento com o Grupo Saraiva e a satisfação no momento da compra; busca ganhos de escala e diluição dos gastos gerais e administrativos; e reforça sua posição de destaque no mercado brasileiro de varejo ligado a cultura e entretenimento“. 
 

Empresa terá 20% das vendas de livros no País
O Estado de São Paulo – Marianna Aragão

A compra da Siciliano pela Saraiva reforça o movimento de consolidação entre as livrarias brasileiras. Juntas, as duas redes serão responsáveis por cerca de 20% da venda de livros do País, um mercado que movimenta R$ 3 bilhões por ano.

Antes pulverizada em pequenos empreendimentos e grupos regionais, o segmento viu nos últimos anos surgirem as megalojas – onde além de livros, encontra-se também CDs, DVDs, revistas, restaurantes e espaços para eventos – e redes cada vez maiores e profissionalizadas.

“A tendência de formação de grandes redes, nos moldes do que ocorreu com os supermercados, é inevitável”, afirma o consultor Marcelo Cherto, da Cherto Consultoria, especializada em varejo e franquias.

O primeiro sinal dessa consolidação veio há cerca de um ano, quando a paulistana Laselva comprou a concorrente Sodiler, do Rio de Janeiro. Com a aquisição, a Laselva, focada em aeroportos, expandiu seus domínios para cidades do Nordeste e do Rio.

A Livraria Cultura, que abriu uma loja de três andares e 4,2 mil metros quadrados na capital paulista em 2007, não esconde os planos de receber um sócio. Com seu sistema de franquias, a Nobel já é a maior em número de lojas – atualmente são mais de 150 no Brasil e no exterior. A própria Saraiva tem um plano de abrir 11 lojas entre 2007 e 2008. Na semana que vem, pretende anunciar seu novo projeto de expansão.

Segundo Cherto, com mais musculatura, as redes passam a ter um poder de barganha maior com as editoras. “As maiores têm mais condições de se impor”, afirma. A estratégia também amplia a chance de as grandes livrarias adotarem práticas no tratamento com fornecedores bastante conhecidas em outros segmentos do varejo.

Uma delas é o enxoval, que obriga o fornecedor a “colaborar” na abertura de uma nova loja, com a doação de parte do estoque e contribuição na verba de marketing. “Não é uma prática do comércio livreiro. Pelo que sei, não é bem vista pelas editoras”, diz o fundador da Livraria Cultura, Pedro Herz. “A Saraiva e a Siciliano têm um perfil parecido, com uma filosofia bem típica do varejo”, afirma.

Algumas editoras estão comemorando a aquisição. “Não vejo com preocupação. Pior é ter um rede fragilizada como a Siciliano, que estava atrasando o pagamento dos fornecedores”, afirma o presidente da Ediouro, Luiz Fernando Pedroso.

Outra medida que poderia passar a fazer parte da rotina de grandes redes seria o pagamento pelos editores de uma verba para colocar seu produto em lugar de destaque nas lojas, da mesma forma que ocorre em supermercados. “Isso já está acontecendo em algumas, mas deve aumentar”, diz Cherto.

Share
Published by

Recent Posts

Dia Nacional do Livro: conheça iniciativas que ampliam o acesso à leitura

Uma história pode começar antes mesmo da primeira palavra: na capa colorida que desperta a…

5 dias ago

Nota técnica orienta redes de ensino a incorporar sustentabilidade socioambiental aos planos de educação

O Instituto Alana, a União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme), a União Nacional…

5 dias ago

PNLD: uma política que precisa “atravessar governos”

A cada disputa presidencial, o Brasil tem a oportunidade de definir prioridades e estabelecer compromissos…

5 dias ago

“A IA executa, o docente escolhe”

Na Abrelivros em Pauta deste mês, Braulio Takahashi fala sobre o avanço da inteligência artificial…

5 dias ago

Abrelivros lança Anuário 2026 na Bienal do Livro de São Paulo e debate valorização de professores

A Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros) lançou, no dia 4 de setembro,…

1 mês ago

Hora de eleger a educação como política de Estado

Às vésperas de uma eleição que levará cerca de 125 milhões de brasileiros às urnas…

1 mês ago