O mercado brasileiro de educação continua na mira da Santillana. Primeiro, foram os livros didáticos. Agora, a aposta é no sistema de educação – linha de produtos que envolve desde as apostilas utilizadas pelos alunos até serviços de capacitação para professores, com cursos à distância.
A companhia espanhola investiu cerca de R$ 4 milhões para desenvolver o UNOPúblico, um sistema de ensino voltado às escolas municipais. Até então, a editora tinha um conjunto de serviços que atendia só as necessidades das escolas particulares.
Hoje, as escolas municipais (responsáveis pelo ensino fundamental) têm duas opções: podem receber livros didáticos gratuitos do governo federal ou comprar o próprio material diretamente das editoras. Segundo Mário Ghio Júnior, diretor-geral do Sistema Uno de Ensino da Santillana, alguns municípios preferem abrir mão do material oferecido pelo governo e investir em um sistema de ensino. “As escolas podem até receber os livros de graça do governo, mas às vezes não têm professores capacitados para usá-los“, explica. O Sistema Uno de Ensino oferece apostilas aos alunos e serviços como cursos para professores por satélite e acesso a um portal na internet.
O Sistema Uno foi criado há nove anos, como um negócio dentro da editora Moderna, comprada pelo grupo espanhol em 2001. Desde a aquisição, a área recebe atenção especial e, neste ano, tornou-se uma estrutura autônoma dentro do grupo. “O Sistema Uno tem crescido 50% nos últimos anos. Fazia todo o sentido ter autonomia“, afirma Ghio.
A receita da empresa é dividida em três partes: 80% das vendas são feitas em escolas particulares, 15% nos cursos pré-vestibulares e 5% advêm dos municípios. “Queremos que a participação das instituições públicas chegue a 13% no próximo ano“, afirma o executivo, que por mais de 16 anos foi professor de química em cursinhos pré-vestibulares. O faturamento previsto para a operação é de R$ 32 milhões neste ano, um valor 60% maior do que no ano passado.
Segundo Ghio, o sistema atende 128 mil alunos de escolas públicas e privadas. “A idéia é liderar os dois mercados em três anos“, afirma o executivo, referindo-se à acirrada competição que mantém com outros sistemas de ensino, como Anglo, Positivo e Etapa.
Outra editora que aposta nesse segmento – que já responde por um terço do mercado particular de livros didáticos – é a Abril Educação, dona dos selos Ática e Scipione. O projeto piloto do Apoioescola foi lançado em 2003. “Até agora, entramos nos mercados de São Paulo, Rio, Norte e Nordeste“, conta João Arinos R. dos Santos, diretor-geral da Abril Educação. “A expansão para todo o país ocorre em 2007.“ O investimento em todo esse período é de R$ 20 milhões.
Hoje, o Apoioescola atende 30 mil alunos. “Com a reformulação do material e estrutura comercial em todo o Brasil, a idéia é atingir 100 mil“, afirma. Diferentemente do Sistema Uno de Educação, o foco do Apoioescola continua sendo o mercado particular.
Já Ghio, da Santilla, planeja outro passo: levar esse tipo de serviço para outros países. “Este é um fenômeno brasileiro“, afirma, sem fornecer detalhes sobre o projeto.
O Brasil é o terceiro maior mercado para a Santillana, respondendo por 15% da receita do grupo, de 419,31 milhões de euros em 2005. A empresa possui no país selos como Moderna Formação, Richmond, Sistema Uno de Ensino, 75% da editora Objetiva, Salamandra e a empresa de avaliação educacional Avalia. No mundo, o Santillana faz parte do grupo Prisa, que atua em outras áreas, como tecnologia e mídia. O Prisa teve receita operacional de 1,4 bilhão de euros em 2005.
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