Santillana, dona da Moderna, acelera crescimento no Brasil

Principal unidade do grupo editorial espanhol, a Santillana Brasil fechou o ano passado com um faturamento de R$ 624 milhões – o que significa antecipar em dois anos o desempenho previsto para 2012.

 

O que coloca a Santillana Brasil à frente das demais subsidiárias do grupo no mundo é a forte atuação da sua editora de livros didáticos, a Moderna.

Responsável por quase 60% da receita da Santillana, a Moderna é uma das líderes do mercado de livros escolares que movimenta cerca de R$ 2 bilhões.

 

O bom resultado do balanço contábil da Santillana Brasil chega em um momento de otimismo para a editora controlada pelo grupo Prisa, que atravessou recentemente uma forte crise financeira.Nesse período, a editora Santillana foi colocada como garantia nos empréstimos feitos pelo grupo espanhol.

 

Em abril, quando o fundo de investimento americano DLJ adquiriu 25% do capital da editora foi exigido como contrapartida que essa garantia fosse retirada. Além disso, no ano passado, o Prisa vendeu alguns de seus ativos e fechou acordo com o Liberty, outro fundo de investimento que se tornou acionista e fez um aporte de € 650 milhões na empresa.

 

“Agora, estamos trabalhando sem amarras. Antes, tínhamos dificuldades para captar financiamentos”, disse Sérgio Quadros, diretor-geral da Santillana Brasil há um ano.

 

Primeiro brasileiro a assumir o comando do escritório da Santillana no país, Quadros está no grupo editorial há oito anos. O executivo, que é físico, começou na editora dando consultoria para os livros de física da editora Moderna.

 

A decisão de colocar Quadros à frente da Santillana também foi motivada pelo bom desempenho da operação brasileira, que hoje responde por quase 30% da receita total da editora espanhola, que somou € 900 milhões no ano passado.

Neste ano, a Santillana Brasil tem planos de investir cerca de R$ 25 milhões.

 

Entre os seus projetos está a expansão do sistema de ensino Uno – mercado alvo de investidores e grupos editoriais. Questionado se tem sido abordado para vender o Uno, Quadros diz que não tem planos de se desfazer do negócio.

 

“Queremos expandir nossa operação para a América Latina. Hoje, temos cerca de 130 mil alunos usando nossos sistema e em cinco anos queremos aumentar esse número para 500 mil”, disse Quadros.

 

A boa performance brasileira tem motivado o Prisa, dono do jornal “El País”, a avaliar a abertura do capital da editora Santillana no Brasil e em Nova York. “O projeto de fazer um IPO está em estudo. A ideia é abrir o capital de toda a editora, não apenas da unidade brasileira. Queremos aproveitar essa boa onda de IPOs e a demanda crescente por educação no Brasil”, disse o diretor-geral.

 

Caso o projeto do IPO seja aprovado, a Santillana pretende voltar a fazer aquisições para encorpar sua operação. Desde que desembarcou no Brasil, em 2000, a empresa espanhola investiu R$ 170 milhões em aquisições, entre elas, a Moderna. A última aquisição ocorreu em 2005, com a compra da editora Objetiva.

 

“Neste momento, temos interesse em aquisições menores, algo nas áreas de literatura geral ou serviços digitais. Mas se optarmos pelo IPO, a ideia é fazer uma aquisição maior”, disse o executivo do grupo, que possui um caixa de R$ 57 milhões.
 

 

 

 

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