Categories: Notícias da imprensa

Rede estadual perde 1,8 milhão de estudantes em 14 anos em SP

Entre 2000 e 2014, a rede estadual de ensino perdeu 1,8 milhão de alunos, segundo estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

A queda do número de crianças e jovens em idade escolar, a municipalização do ensino fundamental e a migração para a rede privada explicam a mudança.

O total de matrículas na rede estadual caiu 32,2% – de 5,6 milhões para 3,8 milhões. Os sistemas municipais, no mesmo período, ganharam 700 mil matrículas. Já a rede privada cresceu em 265 mil alunos no Estado. Essas mudanças acompanham a tendência nacional.

Com a queda das taxas de fecundidade entre as paulistas, o efeito demográfico nas matrículas deve se manter. Até 2030, a população de 6 a 17 anos no Estado terá 6,8 milhões de pessoas a menos, estima a fundação.

O avanço da municipalização do ensino fundamental, iniciada na década de 1990, também influencia. Nesse processo, escolas estaduais são transferidas para a gestão dos municípios.

Com isso, União e Estado terão papel ainda mais decisivo na coordenação de políticas públicas. Cidades pequenas, em geral, têm menos verbas e expertise para estruturar a oferta de ensino. `A articulação é necessária para garantir uma educação mais homogênea, do ponto de vista de conteúdo e de qualidade`, diz Rafael Camelo, assessor técnico da Fundação Seade e responsável pelo estudo.

A migração para a rede privada reflete o crescimento de renda no período. A classe C, que matriculava os filhos em colégios públicos, passou a escolher a rede privada – o aumento de matrículas nessa faixa de renda foi proporcionalmente maior do que nos estratos mais ricos. O ritmo da mudança, porém, pode cair em razão crise atual.

Consequências

A diminuição de matrículas levou à queda no tamanho das turmas na rede estadual. Em 2007, a média era de 31,3 alunos nas salas dos anos iniciais do fundamental (1º ao 5º ano) e 35,4 nos anos finais (6º ao 9º ano)da mesma etapa. No ensino médio, era de 36,6. Em 2014, essa média caiu para 27,8 alunos no primeiro ciclo do fundamental. No segundo ciclo, passou para 31,2 e, no ensino médio, foi de 34,3.

`Se tivermos o mesmo estoque de professores e de estrutura, a tendência é melhorar a aprendizagem`, explica Ricardo Henriques, superintendente do Instituto Unibanco. Mas a redução de alunos, diz ele, demora alguns anos para se traduzir em melhoria de qualidade.

Recent Posts

Dia Nacional do Livro: conheça iniciativas que ampliam o acesso à leitura

Uma história pode começar antes mesmo da primeira palavra: na capa colorida que desperta a…

5 dias ago

Nota técnica orienta redes de ensino a incorporar sustentabilidade socioambiental aos planos de educação

O Instituto Alana, a União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme), a União Nacional…

6 dias ago

PNLD: uma política que precisa “atravessar governos”

A cada disputa presidencial, o Brasil tem a oportunidade de definir prioridades e estabelecer compromissos…

6 dias ago

“A IA executa, o docente escolhe”

Na Abrelivros em Pauta deste mês, Braulio Takahashi fala sobre o avanço da inteligência artificial…

6 dias ago

Abrelivros lança Anuário 2026 na Bienal do Livro de São Paulo e debate valorização de professores

A Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros) lançou, no dia 4 de setembro,…

1 mês ago

Hora de eleger a educação como política de Estado

Às vésperas de uma eleição que levará cerca de 125 milhões de brasileiros às urnas…

1 mês ago