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Que matemática ensinaremos e como?

Para evoluir a forma de ensino no país é preciso valorizar formação do docente. Comentei três semanas atrás que as nossas escolas ensinam, na melhor das hipóteses, matemática do século 19, e que isso gera um descompasso entre a formação que damos a nossos jovens e suas reais necessidades para o exercício das profissões de hoje e a compreensão do mundo que nos cerca.

E a questão não é apenas de “o quê”, mas também de “como” ensinamos essa matemática. Peguemos um exemplo.

Em 2015, quando o governo federal iniciou a discussão da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), a Sociedade Brasileira de Matemática constituiu grupos de trabalho formados por professores universitários e da educação básica para discutir como deveriam evoluir os currículos escolares da área na educação básica e na licenciatura.

Um tema que surgiu e felizmente teve efeito concreto na elaboração da BNCC foi o do ensino da probabilidade e da estatística.

As duas são áreas fundamentais para a ciência, a atividade produtiva e a compreensão dos fenômenos que ocorrem à nossa volta. Haja vista o seu papel na modelagem de doenças contagiosas ou no desenvolvimento espetacular recente da inteligência artificial.

No entanto, até pouco tempo atrás, ambas as áreas estavam praticamente ausentes da sala de aula.

Mas, além de teoria e aplicações da estatística e da probabilidade terem avançado muito, os novos recursos tecnológicos também permitem que esses temas sejam tratados de maneira muito mais adequada.

De fato, da forma como costumam ser ensinadas, pouca diferença farão na vida dos jovens.

Mas será que os professores estão sendo formados com esse conhecimento? Quem os forma em nossas licenciaturas está preparado para isso?

E quanto ao pensamento computacional, tão essencial nos nossos dias? E o raciocínio lógico que lhe é inerente? Estão sendo abordados adequadamente nas licenciaturas? Quem está preparado para ensinar isso ao futuro professor, de modo a habilitá-lo a estimular esse conhecimento nas mentes de seus alunos? Em cursos de formação continuada de professores, frequentemente há pedidos de aulas sobre “como usar o Excel” ou de “matemática da robótica”. Por quê?

O matemático alemão Felix Klein, que, mais de um século atrás se debruçou sobre essas questões em seu país, com toda a autoridade de sua trajetória científica, não teve dúvida em apontar o problema e, portanto, a “solução”: a valorização da formação do docente.

 

Redação Abrelivros

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