Apesar da pressa do governo federal para finalizar o texto do projeto de lei que será enviado ao Congresso para mudar o novo ensino médio, a proposta ainda não está pronta porque há divergências entre grupos que participam da consulta pública feita pelo Ministério da Educação (MEC).
Como o Estadão revelou, nesta terça-feira, 22, secretários de educação e conselhos se encontram com o ministro Camilo Santana para entregar um documento que pede, entre outras medidas, que a carga horária para disciplinas básicas seja reduzida.
O MEC havia apresentado suas primeiras ideias há cerca de duas semanas, prevendo aumento de 1.800 para 2.400 horas nas aulas das disciplinas como Português, Matemática, História e Biologia. O documento dos gestores e dos conselhos pede agora que essa carga seja de 2,1 mil horas, 300 a menos. Mas o que significam no dia a dia dos alunos essas horas? Veja a diferença entre as propostas sobre este e outro temas:
Carga horária
Itinerários formativos
Com a reforma do ensino médio, hoje são 5 as áreas sobre as quais as redes de ensino e escolas podem criar itinerários formativos:
Há duas semanas o MEC propôs que elas sejam reduzidas a 3, após queixas de que a amplitude dos itinerários vinha causando ofertas de aulas sem qualidade:
Já os secretários de educação e conselhos, em documento que será entregue hoje ao MEC, pedem “mais autonomia” para organizar os itinerários. Acreditam que há “engessamento” com apenas dois itinerários propedêuticos e discordam de ambos incluírem Linguagens e Matemática.
Já o grupo que pede a revogação do novo ensino médio e consolidou suas propostas no PL apresentado pelo deputado Bacelar afirma que os itineráios não dão, de fato, “oportunidades de escolha, seja porque as escolas não possuem condições de estrutura física e material para essa oferta, seja porque os sistemas de ensino não asseguram a oportunidade de escolhas”.
Eles pedem que a parte flexível do currículo seja mantida e pode ser organizada com “diferentes arranjos curriculares voltados ao aprofundamento da ciência, da tecnologia, da cultura e do mundo do trabalho, conforme a relevância para o contexto local, histórico, econômico, social, ambiental e cultural”.
Enem
Com relação ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), permanece a dúvida sobre como e quando eles avaliariam os itinerário formativos. Camilo Santana já deixou claro que a prova não muda em 2023 ou 2024, mas que novos estudos serão feitos para 2025.
Os secretários da educação sugerem que haja uma base comum curricular para todos os itinerários formativos para que eles possam vir a ser avaliados mais facilmente no Enem.
Publicado por Estadão em 22/08/2023.
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