Com grande índice de evasão e baixo nível de aprendizagem, a etapa final da Educação Básica precisa ser reformulada.
Segundo o moderador, ambos têm vivência em sala de aula, de modo que atuam como dirigentes nas respectivas áreas não só com o olhar técnico e teórico, mas também com o ponto de vista da realidade escolar. Para Zeca, essa visão panorâmica é necessária e importante para que as ações propostas tenham efetividade na prática do ensino.
Mozart Ramos iniciou sua fala apresentando a dimensão do Ensino Médio no país. Trata-se de 25.923 escolas, 250 mil turmas, 413 mil professores e 10 milhões de alunos. Esse número cresceu nas últimas décadas. Em 1981, menos de 15% dos estudantes entre 14 e 17 anos se matriculavam no Ensino Médio e, em 2007, o salto foi para quase 50%. Ainda assim, é preciso avançar mais: no Brasil, temos 21 milhões de jovens e adultos com mais de 18 anos que poderiam cursar o Ensino Médio. E esse investimento em estudo gera resultados. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, cada ano de escolaridade no Brasil aumenta, em média, o salário de uma pessoa em 15%.
Mas para manter o aluno na escola, é preciso que ela seja atraente. Cerca de 40% dos que abandonam o Ensino Médio deixam a escola por falta de motivação, pois não encontram ali nada que, na perspectiva deles, tenha ligação e sentido com a vida. Devido à extensão continental do Brasil, a visão de mundo dos estudantes é diferente em cada lugar do país. Desse modo, é preciso considerar as várias juventudes e a escola não pode ser um modelo engessado.
De acordo com as mudanças propostas, a organização curricular é composta por uma Base Nacional Comum e outra Parte Diversificada. Os conteúdos devem abordar disciplinas científicas, desenvolvimento das linguagens, mundo do trabalho e da tecnologia, produção artística, além de atividades desportivas e corporais. Dessa forma, todo o ensino deve ser organizado, com atividades integradoras, contemplando os quatro eixos de referência: trabalho, tecnologia, ciência e cultura.
Mozart afirmou que essas diretrizes devem orientar os Projetos Político-Pegagógicos (PPP) de cada escola, buscando a valorização da leitura, a aprendizagem criativa, a relação teoria e prática, novas mídias e tecnologias educacionais, estágios e iniciação científica. Para Sandra, cada escola tem autonomia para construir o seu PPP, mas geralmente o documento não representa a respectiva comunidade escolar. As diferentes modalidades de escolas, como quilombolas e indígenas, devem receber também diretrizes de acordo com suas especificidades.
A própria estrutura geral do Ensino Médio, segundo os educadores, precisa ser modificada. Hoje, o Ensino Médio Regular é organizado em 3 anos, com 2400 horas, distribuídos em 200 dias por ano. Mas ele pode se organizar em mais de três anos, atendendo às necessidades dos alunos, ou com carga horária maior, de 7 horas. A permanência do professor em horário integral na escola também ajudaria muito a aumentar a qualidade do ensino.
Segundo os educadores, a divisão por áreas de conhecimento não modifica o formato de agrupamento das disciplinas. Os componentes, como Língua Portuguesa, Química e Matemática, tendem a ser mantidos da mesma forma, considerando cada vez mais a questão interdisciplinar. A História, por exemplo, precisa ser trabalhada com a Sociologia, com a Filosofia. Assim, o material didático deverá ser construído de acordo com os objetivos das novas orientações curriculares.
Mozart lembrou que o Ensino Médio noturno é o mais prejudicado, pois professores e alunos chegam atrasados e saem cedo, de modo que o primeiro e o último horário praticamente não são aproveitados. Como solução, propõe-se que 20% das horas sejam de caráter não presencial para as aulas da noite.
Mas para que isso tudo seja viável, é fundamental que o professor seja valorizado. Ele precisa ter sua autoestima elevada, ser bem remunerado e ter condições de trabalho. É preciso que o salário inicial da categoria seja atraente, que haja Plano de Carreira, Formação Inicial e Continuada. Hoje, o professor brasileiro ganha 40% menos do que outros profissionais com o mesmo nível de escolaridade. Outro problema é que muitos professores não têm a formação específica nas suas disciplinas: 61% dos professores de Química, por exemplo, não são formados nessa área.
O material didático deve ser um aliado forte na melhoria do Ensino Médio. Para Sandra, o livro didático é um dos instrumentos pedagógicos importantes entre outros. Mozart afirmou que a formação de professores deve auxiliar nesse processo desde a faculdade. “As editoras precisam levar o ‘cheiro da escola’ para as universidades”, concluiu o educador.
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