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Mudanças tiram peso do Enem na avaliação de escolas, dizem especialistas

Uma das mudanças mais importantes anunciadas pelo MEC (Ministério da Educação) para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) não estará diretamente na aplicação das provas. A partir de 2017, a pasta não divulgará mais as notas por escolas. A maioria dos especialistas ouvidos pelo UOL concordou com a novidade, mas todos reconheceram que a alteração vai tirar do Exame o peso na avaliação de instituições de ensino.

 

`Essa é uma reivindicação antiga de especialistas, de que o Enem não foi criado para fazer avaliação da escola. Ele é um dos indicadores da qualidade da escola, mas não pode ser visto como forma de avaliação da escola`, afirmou Maria Inês Fini. Considerada `mãe` do Enem, ela foi responsável pelo desenho pedagógico da primeira edição do exame, aplicado em 1998, e em maio do ano passado assumiu a presidência do Inep.

Nilma Fontanive, coordenadora do centro de avaliação da Fundação Cesgranrio e membro da diretoria da Abave (Associação Brasileira de Avaliação Educacional), explica que `muitas escolas colocavam os alunos mais preparados e desaconselhavam os mais fracos a fazerem o Enem`, o que acabava `beneficiando` os `grandes conglomerados de ensino` com a divulgação do ranking do Enem por escola.

A opinião é compartilhada por Priscila Cruz, fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação. `Essa mudança vai ter mais impacto nas escolas privadas, já que muitas contavam com isso para fazer uma divulgação para as famílias`, disse. `Sou favorável a não ter essa divulgação por escola porque isso cria uma sensação, para o público leigo, de que o Enem representa a qualidade da escola`.

Já Reynaldo Fernandes, ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), discorda da decisão do MEC. Para ele, o setor público tem o dever de divulgar informações sobre o desempenho das instituições de ensino.

`Eu discordo absolutamente disso. O setor público colhe a informação e divulga. A nota do Enem é uma informação para as pessoas. Elas querem estas notas. Têm vários problemas no Enem, mas [a nota] é uma informação útil. Não tem motivo para sonegar a informação do público`, opinou Fernandes.

`O Inep quer o monopólio da interpretação. Ele não tem o poder de falar qual é o certo ou não. Ele não pode achar que tem o monopólio da verdade. Ele até tem direito de ter a interpretação dele [e mostrar isso para as pessoas], mas não existe uma única forma`, completou Fernandes.

Prova Brasil

Com o fim da divulgação das notas por escolas no Enem, outro teste aplicado nacionalmente deve tomar a frente como principal exame de avaliação das instituições, a Prova Brasil, que também passará por mudanças. Um dos elementos que compõem as avaliações do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), ela será, a partir deste ano, obrigatória para todos os alunos do 3º ano do ensino médio de escolas particulares e públicas.

`[A Prova Brasil] substitui essa avaliação das escolas que o Enem estava fazendo agora. A diferença é que o Enem tem todo o currículo, e a Prova Brasil tem só português e matemática. O que as escolas vão ter é uma avaliação que é desenhada justamente para a escola. Já o Enem volta a ser aquilo para o que foi desenhado – que é ser um vestibular nacional para entrada em quase todas as universidades brasileiras`, argumenta Priscila Cruz.

`Acreditava-se que o Enem, como um exame de fim de curso, poderia dar uma avaliação do desempenho dos alunos brasileiros, o que não é verdade`, destaca Nilma Fontanive, que lembra o alto índice de ausentes no exame. `Cerca de 30% dos inscritos no Enem faltam ao exame, ou seja, eles nem chegam lá. Então, o Enem não é um retrato da escola brasileira. Já a Prova Brasil, sim`.

Para Nilma, um dos reflexos da realização da Prova Brasil e, consequentemente, do Saeb, é que `os Estados conhecerão o desempenho dos alunos de suas escolas`.

`Isso é importante para tudo: para transparência, para a sociedade. Permite que se possa investir naquelas escolas com índices mais baixos, que o MEC trace políticas compensatórias corretas, atue onde tem mais problemas. Vai ser possível traçar políticas de melhoria de qualidade com um foco melhor´, avaliou ela.

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