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Investir mais em educação não garante melhores resultados no Pisa

O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), criado em 2000, avalia a cada três anos o desempenho escolar de estudantes de 15 anos em todo o mundo.

 

“O dinheiro sozinho não pode comprar um bom sistema educativo”, destacou a organização em seu relatório “Pisa in Focus”, cuja conclusão é de que os países com melhores resultados nas provas de 2009 são aqueles que acreditam que “todas as crianças podem ter êxito na escola”.

 

Segundo a organização com sede em Paris, uma das chaves do sucesso dos sistemas de educação é considerar que todos os alunos podem ter sucesso e não deixar que aqueles com problemas faltem, repitam de ano ou sejam transferidos para outras salas ou agrupados em classes diferentes em função de suas habilidades.

 

“Superada a barreira de uns US$ 35 mil por estudante” de investimento acumulado por aluno entre os 6 e os 15 anos em unidades monetárias harmonizadas, o gasto “não está relacionado ao resultado”, indicou a OCDE.

 

A organização citou como exemplo países que investem mais de US$ 100 mil por aluno, como Estados Unidos, Suíça, Luxemburgo ou Noruega, e que obtêm resultados similares a países que gastam a metade disso, como Estônia (US$ 43 mil), Hungria (US$ 44 mil) ou Polônia (US$ 39 mil).

 

Os dois países com melhores resultados nas últimas provas do Pisa – Finlândia, com US$ 71 mil, e Coreia do Sul, com US$ 61 mil – estão muito distantes dos que mais investiram (como Luxemburgo, com US$ 155 mil acumulados por aluno, ou a Suíça, com US$ 104 mil).

 

O Chile investe por aluno US$ 23 mil, mais do que o México (US$ 21 mil). Ambos investem mais que países associados (mas não membros) à OCDE, como Brasil (US$ 18 mil) e Colômbia (US$ 19 mil).

 

Todos superam a Turquia, que com US$ 12 mil de investimento por aluno é a lanterna dos 33 Estados-membros da OCDE.

 

Investimento nos professores. Outro dos fatores cruciais detectados pela OCDE é que os países com melhores resultados nas provas trianuais de compreensão da leitura, matemática e ciências naturais são aqueles que mais investem nos professores.

 

Os professores de ensino médio da Coréia do Sul e de Hong Kong, ambos com excelentes resultados no Pisa, ganham “mais que o dobro do PIB per capita médio em seus respectivos países”.

 

“Em geral, os países com bons resultados no Pisa atraem os melhores estudantes para a profissão de professor, e lhes oferecem salários mais altos e grande status profissional”, indicou a OCDE.

 

Ainda assim, a organização precisou que essa relação entre professores e resultados não se verifica entre os países menos ricos.

 

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