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Ferreira Gullar e enciclopédia são os melhores do ano

“Para alguma coisa serve vivermos um pouco mais.“ Foi com esse bom humor que o escritor Ferreira Gullar, com seus cabelos brancos, recebeu o prêmio Livro do Ano na categoria Ficção ontem (31/10) no Prêmio Jabuti, pelo livro de crônicas Resmungos (Imprensa Oficial, 208 pp., R$65). Gullar também não esqueceu de agradecer a parceria com o ilustrador Antônio Henrique Amaral, que o acompanha há anos nas crônicas publicadas na Folha de S.Paulo.  
 
A segunda surpresa da noite, que aconteceu na Sala São Paulo, foi a entrega do Livro do Ano Não-Ficção para a enciclopédia Latinoamericana, publicada pela Boitempo Editorial (1.344 pp., R$190). Os organizadodes da obra, Ivana Jinkings, Emir Sader, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile, fizeram a festa no palco do evento. “Esse prêmio revela a capacidade editorial desta pequena grande editora“, disse emocionado um dos organizadores.  
 
A presidente da organizadora do prêmio, a Câmara Brasileira do Livro, Roseli Boschini, recomendou: “Aproveitem a festa, nobres cavalheiros e damas do livro. A noite é de vocês.“ 
 
 

A festa  
PublishNews – Renata Sturm  
 
Assistir o público presente no Prêmio Jabuti, organizado pela Câmara Brasileira do Livro, é algo interessante. Isto porquê, mesmo que contenha a badalação de qualquer grande evento, seja do cinema ou do futebol, pouca gente sabe qual é o rosto dos escritores e profissionais premiados nas 20 categorias.  
 
É por isso mesmo que eventos como esses são importantes para dar visibilidade para o escritor que, na maior parte do ano, fica recluso em frente ao computador. “Espero pelo dia em que o livro ganhe a mesma atenção que um campeonato mundial de futebol“, disse o esperançoso vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman. O desejo é geral.  
 
O curador do Jabuti, José Luis Goldfarb, afirmou ontem (31/10) à noite que a realidade da literatura no Brasil está longe do ideal. “Mas estamos na estrada correta.“ Para Goldfarb, o Jabuti – diferente de prêmios como o Portugal Telecom – deve continuar premiando exclusivamente escritores no Brasil. “Afinal, o Jabuti é um símbolo brasileiro.“

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