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Escolas não devem adotar tablet só porque é moda, conclui debate

O tablet não deve ser usado por escolas só porque “é moda”. Para que o aparelho entre em sala de aula, é preciso antes desenvolver um projeto pedagógico para seu uso e preparar o professor. Essa foi uma das sugestões do debate “Tablet na Infância – Educação e Entretenimento”, realizado na ultima segunda-feira, 8, no Teatro Folha, em São Paulo. O encontro, promovido pela “Folhinha”, teve parceria do Instituto Ayrton Senna e foi acompanhado por 190 pessoas, a maioria professores e pais.

 

“Se a escola pede tablet no material escolar, o ideal é que tenha um plano pedagógico. Se não sabe como será usado, recomendo que o pai não compre. E mais: eu tiraria meu filho de uma escola assim”, disse Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, ONG que trabalha com segurança na internet.

 

Outro alerta é que o tablet não tenha acesso 3G e funcione pela rede da escola, o que possibilita um maior controle da navegação do aluno.

  

O conflito de opiniões entre a psicóloga Andrea Jotta, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP, e Valdemar W. Setzer, professor do departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da USP, mobilizou a plateia.

  

Setzer foi o único debatedor radicalmente contra o uso de aparelhos eletrônicos e da internet na educação infantil. “Spam existe porque adultos são inocentes e caem. Agora, imagine criança!”, exclamou ele. “Elas são ingênuas e estão sendo usadas para testar tecnologias”, disse.

 

Para Setzer, as crianças devem ser incentivadas a brincar com produtos não eletrônicos. Jotta discordou do professor em diversas ocasiões -e chegou a ser interpelada por uma espectadora, que defendeu Setzer. “As crianças dão conta de desenhar no tablet, no papel, de conversar com as pessoas ao vivo e no mundo virtual. Se os adultos conseguem educar essas crianças é outro ponto. O descontrole que a gente vê é do adulto”, afirmou Jotta.

 

Mas todos concordaram em um ponto: a participação ativa dos educadores no desenvolvimento das crianças. “Pais e professores têm que estar perto das crianças. Eu me preocupo mais com isso do que com o uso de tablet e internet”, disse Adriana Martinelli, coordenadora da área de tecnologia e educação do Instituto Ayrton Senna.

Convidada à discussão, a psicóloga Rosely Sayão, colunista da Folha, não pôde comparecer.

 

O debate foi mediado pela editora da “Folhinha”, Laura Mattos, e pelo editor do caderno “Tec”, Leonardo Cruz.

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