Desde seu lançamento oficial no dia 27 de outubro o 32º Encontro Nacional de Editores e Livreiros tem reunido os principais representantes do setor editorial e livreiro no Hotel Embaixador, em Porto Alegre, para discutir e analisar as tendências do mercado.
No dia 29 de outubro estarão em pauta os temas “O papel das empresas na questão da responsabilidade social; “O empreendedorismo em favor do livro“; “O livro dentro da política do Ministério da Cultura“; “Uma trajetória de sucesso e a experiência na criação de um negócio; e “O livro dentro da política do Ministério da Educação“.
No dia 30 de outubro serão discutidos “Os efeitos da pirataria do livro no país“; “O que o livro representa na cultura de um povo que possui uma feira completando 50 anos“ e “Planejamento Estratégico para o Mercado Editorial“.
No dia 29, será oficialmente inaugurada a Feira do Livro de Porto Alegre, que em sua 50ª edição tem a estimativa de receber cerca de 2 milhões de visitantes e terá como homenageados a Alemanha e a Bahia. Além disso, a festa literária porto-alegrense receberá grandes nomes de talento da literatura nacional, como os gaúchos Luis Fernando Veríssimo, Lya Luft e Moacyr Scliar. Até o dia 15 de novembro estão previstas 600 sessões de autógrafos.
Balaio gaúcho de livros
Gazeta Mercantil
O “Dia Nacional do Livro“, comemorado em 29 de outubro, não poderia ser marcado por nada mais popular. A “Feira Nacional do Livro“, de Porto Alegre, o evento mais antigo do gênero no Brasil, chega a sua 50 edição em um momento cercado por dúvidas e um certo otimismo velado por parte de editores e livreiros. Paralelo à feira, que segue até o dia 15 de novembro, A Câmara Brasileira do Livro (CBL) realiza até o dia 30 de outubro, na capital gaúcha, o 32º Encontro Nacional de Editores e Livreiros, cujo tema, “O Mercado do Livro em Foco“, trata justamente dos principais desafios que serão enfrentados pelo segmento ao longo de 2005.
“O Encontro, tradicionalmente, serve para definirmos diretrizes do setor para o ano seguinte“, explica o vice-presidente da CBL, Bernardo Gurbanov. Um planejamento conjunto torna-se necessário para que se possam traçar estratégias em um mercado sempre tão incerto. Se por um lado, no dia 22 de outubro, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, anunciou como meta do programa “Fome de Livro“ um incremento de 50% do índice de leitura no Brasil em três anos – o que indiretamente fomenta a venda de livros ao governo federal, para a formação de novas bibliotecas em municípios desprovidos deste tipo de instituição – e a participação de empresas brasileiras simplesmente quase dobrou na Feira de Frankfurt, encerrada no último dia 10, saltando de 29 para 54 editoras, por outro, dados parciais de pesquisa encomendada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), divulgados durante o mês passado, na “Primavera dos Livros“, no Rio, mostram que as vendas de livros no Brasil encolheram 48%, de 1995 para cá.
“Esse enxugamento é predatório e nocivo ao setor, principalmente para as pequenas editoras“, reclama Angel Bojadsen, presidente da Liga Brasileira de Editores (Libre), órgão que congrega 85 pequenas e médias editoras no País, frisando que uma redução destas proporções em setores como o automobilístico seria “considerada como mais do que alarmante“ para um país. “É como na economia brasileira, há setores que sofrem mais do que outros em época de crise“, observa Gurbanov, explicando que as pequenas editoras, que representam 70% do total deste tipo de empresa no Brasil, normalmente publicam títulos com menor rotatividade nas livrarias, sentindo mais os efeitos da retração do mercado. “Com o enxugamento das pequenas livrarias de rua, as grandes redes optam por títulos que tenham mais saída das prateleiras“, esclarece o vice-presidente da CBL.
Alfândega literária
Se o mercado interno encolheu 8% só no ano passado, segundo dados da entidade, embora o faturamento tenha crescido exatamente na mesma proporção, os negócios externos que envolvem títulos brasileiros vivem um momento promissor. Além do número de editoras crescer significativamente no tradicional evento europeu, considerado o mais importante encontro de profissionais livreiros do mundo, nota-se um interesse agudo pelos escritores brasileiros contemporâneos. “Europeus e americanos querem conhecer nossa geração de autores, surgidas a partir dos anos 90“, afirma Bojadsen, satisfeito não só com o interesse pelos literatos, mas também pelo bom desempenho da Libre. Convidado pela organização da Feira de Frankfurt, o órgão levou 39 pequenas editoras ao evento e causou tão boa impressão, que além de fomentar a discussão de se criar uma entidade similar em países como a Argentina, também presente em Frankfurt, recebeu o convite para participar da próxima edição da feira, no ano que vem. Fato raro, pois os administradores do evento dificilmente adotam a política de repetir convites às mesmas entidades em anos sucessivos.
“A presença em feiras desse porte estreita contatos com os editores internacionais e ajuda nossos empresários a visualizar os cenários e tendências do setor“, diz Gurbanov. Segundo o vice-presidente, o fato de estar exposto em Frankfurt dá ao País uma “visibilidade incomparável“, o que alavanca negócios, daí o empenho da CBL em participar de feiras internacionais, levando sempre o maior número possível de editores.
Melhor do que qualquer outro evento do segmento no Brasil, a cinqüentenária Feira Internacional do Livro de Porto Alegre sabe claramente o que significa esse tipo de acontecimento para o setor. Em sua última edição, a feira, que ocorre em plena Praça da Alfândega, no centro da capital gaúcha, e em instituições localizadas nas imediações, como o Memorial do Rio Grande do Sul e a Casa de Cultura Mário Quintana, conseguiu reunir um público de 1,7 milhão de visitantes, para uma cidade que conta com uma população de aproximadamente 1,5 milhão de habitantes.
“O fato de ocorrer em um dos logradouros públicos mais movimentados de Porto Alegre e de não cobrar ingresso faz com que a feira seja muito visitada“, explica Waldir da Silveira, presidente do evento. Se no ano passado foram comercializados 470 mil livros, gerando receitas de aproximadamente R$ 9 milhões, a intenção neste ano é atingir os 500 mil exemplares, para uma feira orçada em R$ 3 milhões, com o patrocínio da Gerdau, Copesul, Prefeitura de Porto Alegre, entre outros .“Os balaios de saldo, com descontos de 10% a 40% no preço, estimulam as vendas de livros“, diz Silveira, comentando que no início de outubro as vendas nas livrarias locais caem devido à espera dos gaúchos pela feira. “A população desenvolveu ao longo do tempo uma relação de profundo amor com o evento“, diz ele.
Nesta edição, a feira, que começou com 14 “barraquinhas“ – os gaúchos não admitem que se chame de estande – em 1955, terá 108 barracas, 45 oficinas, 60 saraus e mais de 600 sessões de autógrafos, contando com a presença de convidados ilustres como o filósofo francês Jean Baudrillard, e escritores brasileiros como Fernando Morais, Ziraldo e José Miguel Wisnik. “Somos o terceiro maior evento deste tipo no País, só perdendo para as bienais do livro de São Paulo e do Rio“, faz questão de frisar Silveira.
O presidente também lembra da importância dos escritores gaúchos para o mercado editorial brasileiro. “Nomes como Luís Fernando Verissimo, Lya Luft e Moacyr Scliar há anos vêm figurando nas listas de livros mais vendidos do Brasil“, diz. Para esta edição, a Feira de Porto Alegre contará com 106 escritores locais, entre eles Letícia Wierzchowski, autora de “A Casa das Sete Mulheres“, que lança seu novo romance, “Um Farol no Pampa“, pela Record.
Com pontos positivos e outros nem tanto assim, o segmento editorial brasileiro, a despeito das crises que marcam o setor, continua sendo um mercado promissor. Nunca é demais lembrar que no Brasil apenas 26 milhões de brasileiros são “leitores ativos“, o que significa apenas 30% da população adulta e alfabetizada. A grande questão do nosso mercado editorial é desatar os nós de como melhorar o acesso aos livros em todo o País.
MEC participa do 32º Encontro Nacional de Editores e Livreiros, em Porto Alegre
Assessoria de Comunicação do FNDE
Como parte das programações em torno da 50ª Feira do Livro de Porto Alegre, o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC), José Henrique Paim Fernandes, fará uma palestra no 32º Encontro Nacional de Editores e Livreiros, em Porto Alegre (RS). O objetivo do encontro é reunir empresários, profissionais e autoridades comprometidos com o sucesso da indústria livreira no Brasil. Serão debatidos assuntos relacionados com o negócio do livro, suas tendências, perspectivas e desafios para os próximos anos.
O tema da palestra do presidente do FNDE será “O livro dentro da política do MEC”. O evento ocorrerá na sexta-feira, dia 29 de outubro, das 15h30 às 16h30, no Auditório 1 do Hotel Embaixador, localizado à Rua Jerônimo Coelho, 354, no centro de Porto Alegre.
Encontro com autores – O estande do Ministério da Educação terá diversas atrações durante as duas semanas de duração da Feira do Livro, que começa no dia 29 de outubro, na Praça da Alfândega, centro da cidade. Metade dos 40m2 do estande será ocupada por poltronas, pufes e almofadas para receber a criançada nas “Rodas de Leitura” que serão promovidas pelo Ministério.
Além disso, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC) está organizando uma série de cinco encontros com autores gaúchos cujas obras fazem parte do acervo do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) 2003. Participarão da série os escritores Ricardo Silvestrin (2/11 às 16h); Luis Fernando Verissimo (5/11 às 16h); Sérgio Capparelli (7/11 às 16); Moacir Scliar (8/11 às 18h); e Suzana Vargas (9/11, às 16h).
Fundação Joaquim Nabuco – Pela primeira vez, a Fundação Joaquim Nabuco, órgão do MEC sediado em Recife (PE), participará da feira, com a apresentação de livros e vídeos produzidos pela Massangana Multimídia e pela Editora Massangana, da Fundaj. Entre os livros estão o Dicionário de Folclore para Estudantes, de Mário Souto Maior e Rúbia Lóssio, que explica de modo acessível aos estudantes da educação básica os principais temas do folclore brasileiro; Gente da Nação, do historiador José Antonio Gonsalves de Mello, considerado o mais completo estudo sobre os judeus e cristãos-novos que viveram no Brasil nos séculos XVI e XVII; e Viagens ao Nordeste do Brasil, do inglês Henry Koster, que, segundo os especialistas, é um dos melhores relatos sobre o Brasil dos primeiros anos do século XIX, na visão de um estrangeiro.
No dia 5 de novembro, às 18h, logo após o encontro com Luis Fernando Verissimo, será lançado o primeiro número da revista Massangana, publicada pela Fundação Joaquim Nabuco/MEC, sediada em Recife (PE).
Mais recursos – Além dos recursos emergenciais para o ensino médio que serão liberados em novembro para os estados do Nordeste e Pará, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação irá liberar, até o final de outubro, para estados e municípios, R$ 46,3 milhões do Programa Brasil Alfabetizado; R$ 57,2 milhões do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE); R$ 113 milhões do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae); R$ 22,3 milhões para os estados que recebem recursos referentes à complementação da União para o Fundef; R$ 2 milhões para projetos educacionais, além de R$ 42 milhões para o Estado de São Paulo destinados à aquisição de livros didáticos do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).
Do início de outubro até hoje, o FNDE já liberou para os estados e municípios brasileiros, um aporte de R$ 268,5 milhões, sendo R$ 37,5 milhões do Programa de Educação de Jovens e Adultos; R$ 27,5 milhões do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE); R$ 100 milhões do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) e R$ 103,5 milhões do Salário Educação.
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