O CNE (Conselho Nacional de Educação) decidiu rever seu parecer sobre o livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, e passou a recomendar a contextualização histórica das obras literárias abordadas na escola.
O texto aprovado pelo conselho em outubro de 2010 recomendava ou que o MEC não distribuísse a obra a escolas públicas ou que as editoras inserissem no livro uma “nota explicativa” sobre suposto teor racista, que estaria presente principalmente em passagens relativas à personagem Tia Nastácia, como no trecho “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”.
A medida sugerida pelo conselho teve repercussão negativa entre educadores e o ministro Fernando Haddad (Educação) acabou pedindo ao CNE que revisse o texto.
Agora, a nova versão aprovada pelo CNE afirma que é importante que a escola faça uma “contextualização” dos autores e dos livros, especialmente aqueles produzidas em período em que pouco se falava em preconceito racial.
O texto também ressalta que não se deve vetar o acesso dos estudantes a nenhuma obra literária. Para entrar em vigor, o parecer ainda tem que ser homologado por Haddad. Ontem, ele afirmou que leu versões preliminares do documento que o agradaram.
A abordagem já estava prevista em livro que será distribuído pelo MEC a escolas públicas no segundo semestre para orientar professores.
Sem negar possíveis elementos de preconceito racial na obra de Lobato, o livro defende que ela seja analisada em conjunto com as condições históricas época.
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