Quatro meses após convidar formalmente o ministro Guido Mantega a comparecer à Câmara dos Deputados, a Comissão Especial do Plano Nacional da Educação (PNE) fará o caminho inverso e vai ao ministério ouvi-lo. A intenção é saber por que o governo diz ser impossível o Brasil investir 10% do PIB em Educação, como é solicitado pelas entidades ligadas ao setor.

 

A inversão é criticada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação por tirar da sociedade o direito a debater e argumentar. “É imprescindível que a Comissão Especial do PNE leve Mantega para debater a matéria publicamente, inclusive como um sinal republicano de respeito do Poder Executivo perante o Poder Legislativo e a sociedade civil brasileira”, diz trecho de uma carta aberta publicada nesta segunda.

 

De acordo com o presidente da comissão, Wellington Coimbra (PMDB-ES), os deputados aceitaram a ida ao ministério, mas não está descartada uma convocação de Mantega. “Nós ainda temos esta prerrogativa se não ficarmos satisfeitos com as informações prestadas”, diz.

 

Segundo ele, a intenção é ter as respostas para que a Comissão possa votar o PNE na semana que vem. “Se não ficarem dúvidas da parte do governo, nós vamos colocar isto em pauta para os deputados decidirem pelos 8% do relator ou pelos 10% pedidos pela sociedade.”

 

O PNE deveria estar em vigor desde janeiro de 2011. A lei anterior, valia até 2010 e não impunha metas que pudessem ser mensuradas. A proposta atual traz 20 itens quantitativos como aumento de creches, vagas no ensino profissionalizante e, tema mais polêmico, a fonte de renda para custeio deste investimento.

 

O documento enviado pelo governo sugeria que fosse 7% do PIB do País. Na Câmara o valor chegou a 8% do valor total investido em educação – contadas aí despesas extras como bolsas de estudo.

 

Recent Posts

Dia Nacional do Livro: conheça iniciativas que ampliam o acesso à leitura

Uma história pode começar antes mesmo da primeira palavra: na capa colorida que desperta a…

4 dias ago

Nota técnica orienta redes de ensino a incorporar sustentabilidade socioambiental aos planos de educação

O Instituto Alana, a União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação (Uncme), a União Nacional…

5 dias ago

PNLD: uma política que precisa “atravessar governos”

A cada disputa presidencial, o Brasil tem a oportunidade de definir prioridades e estabelecer compromissos…

5 dias ago

“A IA executa, o docente escolhe”

Na Abrelivros em Pauta deste mês, Braulio Takahashi fala sobre o avanço da inteligência artificial…

5 dias ago

Abrelivros lança Anuário 2026 na Bienal do Livro de São Paulo e debate valorização de professores

A Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros) lançou, no dia 4 de setembro,…

1 mês ago

Hora de eleger a educação como política de Estado

Às vésperas de uma eleição que levará cerca de 125 milhões de brasileiros às urnas…

1 mês ago